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Artigo – GCF: uma plataforma de vozes e parcerias

Resley Saab
04.12.2018 7:30
Atualizado 06.12.2018 às 15:22

Um país diverso, grande e cheio de peculiaridades, mas todas essas características ecoam de diferentes maneiras e já levaram o Brasil por diversos caminhos. Na política ambiental existem pontos que se tornaram consenso, afinal, já passamos do momento de um conceito restrito, e falar em conservação é falar de qualidade de vida, geração de renda, inclusão social, produção. Essa é uma prática que se deixar de ser considerada significa retroceder.

Esse olhar certamente é direcionado de forma mais aguçada para a Amazônia brasileira diante de sua importância nacional e global. Dessa forma, os nove estados que integram esta região do país apontam um grande diferencial de uma atuação conjunta como ferramenta para avançar nos desafios, desde o momento de reivindicar algo diante do governo federal, como também em articulações internacionais, entre elas uma que considero das mais importantes e com resultados concretos, que é a Força-Tarefa de Governadores para o Clima e Florestas (GCF).

Como bem traduziu a diretora global Colleen Lyons, durante o encontro de transição entre governos atuais e eleitos, o GCF é uma plataforma para nossas vozes no nível jurisdicional, ou seja, ela permite o diálogo e ações entre estados de diferentes cantos do mundo, movidos pelos mesmos desafios e perspectivas. É um verdadeiro exemplo de “vamos dar as mãos e juntos enfrentar desafios e buscar as melhores soluções”.

Hoje a plataforma GCF reúne 38 membros, estados e províncias, envolvendo sete países. Já recebe apoio financeiro da Noruega, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos, por meio da Califórnia.

A força-tarefa começa com os estados, mas ultrapassa as fronteiras e avança para um nível global, incluindo parcerias, entre elas já com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). E sendo esse espaço de vozes que reúne todos os estados da Amazônia brasileira, o que corresponde a 60% do território do país, na visão de Carlos Aragon, coordenador do GCF Brasil, é essa a região que pode de fato provocar uma mudança de comportamento do ser humano, uma mudança no modelo de consumo, que é necessária para atingir as metas de desenvolvimento sustentável.

E com orgulho, meus caros, digo que o Acre é um estado que ao longo dos dez anos do GCF, mais especificamente nos últimos oito anos, teve um protagonismo muito importante, e em dado momento foi apontado como referência no desenvolvimento de suas práticas quanto aos projetos de redução das emissões de carbono.

Nas palavras dessa profissional, que tem a missão de organizar, captar parceiros e fazer todo o diálogo com os estados, Colleen Lyons diz que o Acre é um laboratório de conhecimento e que o governador Tião Viana deixa o seu “DNA” no GCF para que outros carreguem esse legado, pois ele foi peça fundamental ao mobilizar outros governadores, ao ser uma liderança dentro da plataforma, atuando sempre muito além de questões partidárias com sabedoria ao firmar parcerias e com a devida sensibilidade, mostrando a real proporção dessa iniciativa. “Tião Viana é um líder dotado de muita gentileza. Foi uma luz dentro do GCF e o seu DNA fica para que outros levem esse exemplo pelos próximos anos”, relata Colleen.

Cada um com suas peculiaridades, mas com desafios e objetivos comuns, os estados brasileiros que integram a Amazônia levam ao GCF o sentimento e o movimento de quem acredita que podemos trilhar outros caminhos, reforçando o coro de que aqueles que estão atentos e comprometidos com essas questões merecem atenção e apoio.

Com o momento de transição de governo acontecendo no país, aos que permanecem é continuar a jornada; aos que entram, é necessário entender a dimensão desse movimento global, reconhecer o que foi realizado e continuar unindo forças, mantendo os respectivos estados nessa força-tarefa que cada vez mais faz ecoar uma voz forte, comprometida e que, de fato, alcança resultados que colaboram para a mudança e melhoria da vida no planeta.

Andréa Zílio é jornalista, atualmente na função de secretária de Estado de Comunicação do Acre

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