Desenvolvimento sustentável é realidade no Complexo de Florestas Estaduais do Gregório

Desenvolvimento sustentável é realidade no Complexo de Florestas Estaduais do Gregório

A produção sustentável no Acre tem um significado maior que apenas a questão econômica e de desenvolvimento. Ela representa uma oportunidade de inclusão social. Os moradores de comunidades florestais, distantes ou não dos centros urbanos, ganham uma alternativa de renda e um caminho de empoderamento do cidadão na interação social.

Mais de 500 famílias que vivem ao longo da BR-364, entre Tarauacá e Cruzeiro do Sul, no Complexo de Florestas Estaduais do Rio Gregório, passaram por uma transformação após a conclusão da rodovia. A gestão de Tião Viana aplicou mais de R$ 43,6 milhões em diversas ações, desde a agricultura e manejo sustentável até cursos técnicos e construção de casas.

Algumas das atividades são inovadoras, como o carvão do cocão e o manejo madeireiro comunitário, além do plantio de sistemas agroflorestais com diversas frutíferas. Francisco dos Santos, presidente da Cooperativa de Produtores Familiares e Economia Solidária da Floresta do Mogno (Coopermogno), uma das organizações sociais daquela região, reconhece a importância do governo do Estado para o desenvolvimento e apoio das comunidades. “Hoje, se temos alguma coisa, é porque o governo foi parceiro nosso mesmo, em tudo. Tanto para as comunidades quanto para o produtor e para a nossa cooperativa”, afirma.

O trabalho com o carvão do fruto cocão possui potencial para geração de renda, é um recurso com grande ocorrência na região e com muitas possibilidades para criação de produtos derivados. “Nossa área é composta de cocão, todo canto que você olha você vê cocão. Daí surgiu a ideia de tirar o óleo, fazer o carvão, fazer a ração e também a torta [espécie de massa para alimentação], que é mais uma renda para o agricultor familiar”, explica Santos.

O trabalho com o carvão do cocão pode beneficiar até 500 famílias (Foto: Sérgio Vale/Secom)

O cocão é proveniente de uma palmeira e historicamente usada por seringueiros tanto para a extração de óleo e massa como para a queima durante a defumação da borracha do látex. “Antigamente, quando as pessoas que moravam por aqui não tinham farinha, muitos comiam a massa do cocão como se fosse farinha de mandioca”, explica o jovem Cleciano Souza, técnico em agroecologia da Coopermogno, formado pela Escola da Floresta, em Rio Branco.

Comercialmente, este carvão vegetal possui diferencial na qualidade da queima e da brasa. “O diferencial do carvão do coco é que ele dura, enquanto você vai gastar dois sacos de carvão comum com o mesmo peso de lenha, esse aqui você vai usar só um”, explica Francisco. Há ainda a questão social, pois quando estiver sendo comercializado em todo o estado, a atividade irá beneficiar até 500 famílias da região. Atualmente 250 pessoas já participam da coleta do cocão.

Da fruta ao manejo florestal

Outras duas atividades complementam o atual mosaico de produção sustentável nas comunidades do Complexo de Florestas Estaduais do Rio Gregório. O manejo de madeira legalizada e o plantio de frutíferas em sistema agroflorestal dão mais opções para a geração de renda.

Conforme explica Marky Brito, diretor de Floresta da Secretaria de Meio Ambiente do Acre (Sema), cinco associações das três florestas estaduais do Complexo estão juntas no projeto de manejo florestal, em uma parceria da Cooperfloresta com o governo do Estado. Em todo o estado do Acre, mais de 1200 pessoas estão em atividades de manejo comunitário.

“O diferencial deste plano de manejo, é que ele vai além de apenas a retirada da tora de madeira. O que foi pensado e aprovado pela comunidade é o pré-processamento dessas toras”, afirma Brito. Ele pontua ainda que existem quatro serrarias portáteis que vão manufaturar pranchas, blocos e outros produtos para o setor moveleiro. A comunidade recebeu oficinas e treinamento para o trabalho.

O maracujá já está dando seus primeiros frutos no plantio de Manoel (Foto: Sérgio Vale/Secom)

Na fruticultura, cerca de 130 famílias participam do programa de plantio de espécies em consórcio, um Sistema Agroflorestal. Cada família planta açaí, graviola, maracujá, acerola e castanheiras, sendo que cada cultura começa a dar frutos em tempos diferentes, provendo já nos primeiros dois anos uma renda.

“Aqui tenho só a roça [mandioca], banana e cana-de-açúcar. Agora estou plantando esse maracujá, graviola, açaí. A graviola, lá em Cruzeiro do Sul, nós sempre vendemos de quinze reais uma graviola, que pode ter até dois quilos”, explica o experiente agricultor Manoel Gomes, nascido na região do Rio Tauari, dentro do Complexo de Florestas.

Manoel fala ainda do seu sentimento de ter essa vida na agricultura, em uma floresta rica. “Sou feliz morando na minha propriedade, aqui tem uma banana, uma cana pra chupar, uma mandioca pra comer, tem abacaxi para comer, tudo tem”.

E sobre as melhorias que viu chegar após a conclusão da BR-364, que passa em frente sua casa, ele fala da importância do governo no processo. “Depois que entrou o governo foi que abriu essa estrada. Morava pouca gente na beira, agora o senhor vê que mora muita gente aqui. Porque o Governo ajuda e dá condição para nós vivermos”.

A história desses moradores da floresta mostra como os governos da Frente Popular do Acre têm garantindo um modelo de desenvolvimento com inclusão social e conservação. “Eu acho muito bom morar aqui, estou com dezessete anos morando nessa floresta. Depois que o Estado tomou conta, o produtor teve vez”, declara Souza.

Texto de Arison Jardim - Fotos de Sérgio Vale - Vídeo de Pedro Devani

Rio Branco - 26 de novembro de 2018