Educação acreana celebra conquistas em todas as áreas do conhecimento

Educação acreana celebra conquistas em todas as áreas do conhecimento

Texto de Mágila Campos || Fotos de Júnior Aguiar || Diagramação de Adaildo Neto

Rio Branco, 22 de abril de 2018

O Acre comemora um novo tempo nas relações entre a escola e a comunidade. O grau de comprometimento do governo com a educação do povo acreano extrapola os muros da escola e se consolida em programas que alicerçam o ensino regular, contribuindo com a formação dos amazônidas desta parte do Brasil.

Para se ter uma ideia, ao longo dos últimos anos houve conquistas educacionais em todas as áreas do conhecimento, como a implantação dos Colégios Militares, a criação do Quero Ler, do Instituto de Matemática, Ciência, Filosofia e Ética (IMCFE) e do Centro de Estudo de Línguas (CEL). Além, também, da adesão do Ensino Integral.

Nesta reportagem, conheça os principais avanços dessas áreas. Mas, antes de adentrarmos nos quesitos dos programas e projetos, vamos falar do reconhecimento dos servidores técnico-administrativos e professores, as pessoas que trabalham diretamente para tornar todas as ações uma realidade possível.

A valorização desses profissionais se traduz em conquistas como o reajuste salarial pago para mais de 15 mil servidores, cuja última parcela foi depositada no último mês de fevereiro. Nas palavras do Secretário de Estado de Educação, Marco Brandão, “uma valorização justa, pois são eles os agentes da Educação do Nosso Estado, processo alavancado pelo governador Tião Viana”.

São iniciativas que apoiam a formação dos povos amazônicos, espalhados pelos 22 municípios do Estado do Acre, desde a alfabetização, até a conclusão da educação básica. Ações essas que contemplam as zonas urbanas, mas se estendem às comunidades ribeirinhas, rurais, indígenas e extrativistas.

Centro de Estudo de Línguas

Um desses programas é o Centro de Línguas, mais conhecido como CEL, um espaço referência no ensino gratuito de idiomas no Estado. Desde 2011 ele oferece à população acreana formação em línguas estrangeiras de forma totalmente gratuita.

Em seis anos de atuação já atendeu cerca de 32 mil estudantes. Lá são ofertados inglês, espanhol, francês, italiano, libras e, recentemente, o governo do Estado inovou ainda mais com o ensino do Hatxa Kui, língua matriz do povo Huni Kuin, que representa mais uma etapa na valorização da cultura indígena. Este ano, só no primeiro semestre já tem 3.731 alunos matriculados. Além da capital, Rio Branco, O CEL por meio dos seus Núcleos de Estudos de Línguas (NELs), também atende nos municípios do interior, como Cruzeiro do Sul, Brasileia e Epitaciolândia.

Adriana é uma das alunas matriculados no CEL em 2018 (Foto: Mágila Campos)

A estudante Adriana Silva está no quarto ano do curso de espanhol e diz que o CEL ampliou as possibilidades dela como ser humano. “Sempre sonhei ir passar um tempo na Espanha, por isso me matriculei em espanhol, mas depois que comecei, percebi que tinha muito mais possibilidades, já que somos um dos poucos país latinos que falamos  português”, frisa.

Instituto de Matemática

Outro espaço focado em apoiar a educação pública acreana é o IMCFE, o primeiro instituto do país a agregar matemática, ciências e filosofia e ética em um mesmo espaço. E tudo isso visando o fortalecimento das habilidades e competências dos alunos, além de ser um ambiente aberto para a comunidade.

O estabelecimento oferta cursinhos em todas as áreas do conhecimento. Desde que foi criado, já passaram pelo local um total de 27 mil pessoas. Em sua grade, oferta semestralmente, 15 cursos, todos com profissionais das respectivas áreas.

O IMCFE oferece cursos que apoiam o ensino regular (Foto: Arquivo)

Colégios Militares

Na área da educação básica, outro grande marco da educação acreana em 2018 foi a implantação dos Colégios Militares. Um método de ensino, totalmente novo, em que as escolas são geridas pela Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar. Ambas as instituições, inicialmente, com oferta de vagas para os 6º, 7º, 8º e 9º anos do Ensino Fundamental. Em seu primeiro ano já são mais de mil alunos matriculados.

As escolas têm por objetivo promover e fomentar acesso aos saberes, práticas e experiências culturais relevantes para o desenvolvimento integral de todos, ou seja, para o desenvolvimento de suas diferentes capacidades – cognitivas, afetivas, físicas, éticas, estéticas, de relacionamento pessoal e de inserção social.

O chefe da pasta da Educação, Marco Brandão, destaca que a criação desses novos formatos demonstra o esforço do governo do Acre em “fortalecer a educação acreana e oferecer um ensino de qualidade para toda a população do nosso Estado”.

Ensino Integral

No ano passado, outro destaque do ensino público acreano foi à implantação da Educação em Tempo Integral.  Uma opção a mais para os estudantes do ensino médio, da capital. Já no primeiro ano, sete escolas de ensino médio passaram a funcionar com o novo método educacional.

Este ano, o novo modelo expandiu também para os municípios do interior. Na região do Juruá, foi implantado em Cruzeiro do Sul, em Tarauacá, na Djalma Batista, e na regional do Alto Acre, Brasileia recebeu a primeira instituição, na Kayrala José Kayrala. Ao todo, o Acre tem em 2018 dez escolas de tempo integral.

Para conseguir efetivar o modelo no estado, sair da capital para atender também o interior, o governo do Acre precisou investir R$ 28 milhões nessa pasta. Sendo que desse valor, apenas R$ 7 milhões foram provenientes de verba federal, e os outros R$ 21 milhões, de recursos próprios do Estado.

Ao todo, o Acre terá em 2018 dez escolas de tempo integral (Foto: Mágila Campos)

Quero Ler

Na Educação de Jovens e Adultos, foi criado um programa ousado que tem como meta erradicar o analfabetismo no Estado até o fim de 2018.  Até o momento o projeto já atendeu cerca de 51 mil alunos.  O projeto é voltado para beneficiar pessoas a partir dos 15 anos de idade e que não tiveram a oportunidade de estudar na idade certa.

O senhor João Ferreira é um desses estudantes que teve a oportunidade de aprender a ler e a escrever apenas aos 54 anos de idade. Emocionado ele conta: “agora não vou mais passar vergonha, quando mandarem eu assinar meu nome, eu vou saber”, conta emocionado.

É para dar essa dignidade aos acreanos que o Quero Ler foi criado, e até o fim deste ano a meta é chegar a 60 mil pessoas alcançadas, tornando o Acre o primeiro Estado do país a erradicar o analfabetismo.

A educação dos indígenas acreanos é uma das prioridades do Governo (Foto: Mardilson Gomes)

Educação indígena

Outra pasta prioritária do governo acreano é a educação indígena, desde 2011 Tião Viana, tem investido em todas as frentes para elevar a qualidade do ensino dos povos amazônicos que vivem nas aldeias do Acre.

Os investimentos podem ser notados nos espaços físicos de ensino. O número de escolas saltou de 182, em 2011, para 213, em 2016. Em sete anos foram construídas 73 escolas de ensino indígena com investimento de mais de 4,5 milhões.

Além disso, destacam-se a contratação de pessoal. Só em fevereiro deste ano, o governo abriu um Processo Seletivo Simplificado para contratação de 150 professores indígenas para atender 14 etnias do Estado.

Da educação básica a Profissional

Além do ensino básico o governo se preocupa ainda é ofertar educação profissional, com o intuito de formar e ao mesmo tempo qualificar os acreanos em uma profissão. A cargo desta função está o Instituto de Desenvolvimento de Educação Profissional e Tecnológica Dom Moacyr (IDM), que atua no estado desde 2005.

“A principal função do IDM é formar profissionais e temos orgulho de dizer que ao longo dos anos, já atendemos mais de 100 mil pessoas em todo o Acre”, explica a diretora – presidente do órgão, Rita Paro.

O estabelecimento de ensino é uma instituição pública e atua nos 22 municípios com cursos profissionalizantes, presenciais e a distância. Além da zona urbana, o IDM atua também nas zonas rurais, atendendo ribeirinhos, indígenas e extrativistas.

Escolas Climatizadas

Outro avanço no ensino acreano é a implantação do Programa de Climatização das Escolas, lançado em 2017. Uma iniciativa criada por Tião Viana para melhorar os ambientes escolares em todas as regionais.

O investimento é em torno de R$ 16 milhões. Montante utilizado na aquisição e instalação dos aparelhos de ar-condicionado e estruturação da rede elétrica dos estabelecimentos de ensino.

O programa contempla os 22 municípios do estado e beneficia diretamente 207 escolas estaduais e cerca de 140 mil estudantes, além de professores e do quadro de apoio.

Índice de Desenvolvimento da Educação Básica

O trabalho em todas os segmentos do ensino se reflete no Ideb do Estado. Nos anos iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano), o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), do Acre aumentou de 5,0 em 2013 para 5,5 em 2015, ultrapassando a meta de 4,7 estabelecida pelo MEC.

O Ideb mostra que de 2005 a 2015 o Acre tem apresentado ganhos de 2,2 pontos, superando a média da Região Norte (5,0). Na segunda etapa do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano), o índice em 2013 e 2015 foi de 4,4.

De 2005 a 2015 essa etapa do ensino apresentou evolução superando mais uma vez a nota média da Região Norte e do Brasil, passando de 3,5 para 4,4. Já no Ensino Médio, o índice do Acre aumentou de 3,3 para 3,5 entre 2013 e 2015.

O IDEB é divulgado a cada dois anos e tem metas projetadas até 2022.

Aumento no número de servidores

As mudanças podem ser sentidas também no quadro de servidores da educação. De 2011 a 2018, foram convocados para fazer parte da pasta mais de 40 mil servidores. Desse total, 1.968 trabalhadores foram admitidos por meio de concurso público  para o quadro de efetivos.