Governadores da Amazônia Legal celebram redução do desmatamento e criação de Consórcio

Governadores da Amazônia Legal celebram redução do desmatamento e criação de Consórcio

Texto Samuel Bryan || Fotos Sérgio Vale || Diagramação de Adaildo Neto

Os representantes do Executivo de nove estados da Amazônia Legal se reuniram na noite desta quinta-feira, 26, em Rio Branco, para o encerramento do 16º Fórum de Governadores da Amazônia Legal. Sobre a liderança do anfitrião do evento, o governador Tião Viana, a edição celebrou a redução do desmatamento ilegal no Brasil e o consolidação do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal.

É a primeira vez que o Acre sedia o Fórum de Governadores da Amazônia Legal, que reuniu mais de 230 gestores e especialistas nas áreas de meio ambiente, segurança, comunicação e, pela primeira vez, turismo.

“Nós, governadores da Amazônia Legal, estamos entregando ao Brasil e ao mundo uma vitória na redução do desmatamento ilegal. O Brasil celebra uma redução de 16% do desmatamento da Amazônia. E cada estado tem sua peculiaridade, mas seguimos no conceito de que queremos desenvolver, industrializar e aumentar a qualidade de vida, mas chamamos a atenção do Brasil e do mundo para a responsabilidade, que não fique apenas sobre nós, mas, que seja partilhada”, disse Tião Viana.

Já no Acre, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento ilegal reduziu em 34%. Este resultado é fruto de políticas de desenvolvimento sustentável do governado do Estado, que são pautadas na preservação da floresta e ocupação produtiva das áreas abertas.

Unidos pela Amazônia

A questão da preservação e valorização da região amazônica foi de longe a maior pauta de todo o Fórum. Dentro da Câmara de Meio Ambiente, o principal ponto foi a organização do evento Amazon-Bonn, que fará parte da Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-23) na Alemanha, em novembro.

Convidado de honra para participar da organização junto aos diversos secretários de Meio Ambiente, o embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel, esteve presente no Fórum e reforçou: “Estou muito feliz porque todos os governadores da Amazônia Legal e muitos prefeitos vão participar da COP 23. Penso que isso é uma boa ideia, que os Estados da Amazônia Legal estarão juntos para apresentar a região, ao invés de fazer isso separado. Em Bonn todos serão bem-vindos para continuar as negociações no âmbito do acordo da COP-21, de Paris. Vamos todos à Bonn”.

Governador do Pará e com uma ampla experiência em monitoramento técnico de áreas florestais, foi Simão Jatene um dos chefes do Executivo a mais defender a preservação e valorização da região.

“Nós ainda não fomos sábios o suficiente para utilizar a nossa diversidade para reduzir as nossas desigualdades. Nós transitamos de inferno verde para celeiro do mundo. De almoxarifado para santuário, dependendo do humor com que nos olham. E a rigor, essa região tem sim uma dupla condição fundamental. Ela é uma grande prestadora de serviços ambientais em escala planetária, mas para ela realizar essa condição ela tem que ser base de um material de vida digna para os que aqui vivem e moram”, completou o governador Jatene.

Novas expectativas

Dos nove estados da região, sete já aprovaram a criação do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal, um a mais do que o quórum necessário para a sua instalação.

A ideia do consórcio como uma alternativa para viabilizar o desenvolvimento conjunto da Amazônia Legal vem sendo discutida desde o 13º Fórum de Governadores, ocorrido em janeiro deste ano, na cidade de Macapá (AP). A proposta ganhou força no 14º Fórum, realizado no mês de maio, em Porto Velho (RO), quando os nove governadores assinaram o Protocolo de Intenções para a constituição do novo bloco.

O governador de Rondônia, Confúcio Moura, ressaltou que a medida é necessária para a diminuição das desigualdades no tratamento da região Amazônica. “O mais importante é a consolidação do consórcio de governadores. É uma figura cujo objetivo é dizer que não estamos satisfeitos com o Brasil, com a concentração de poder em Brasília, e com a burocracia quanto solução de problema da Amazônia. Precisamos envolver não só os governadores, mas também os prefeitos e parlamentares para a mudança de leis. É indispensável para que tenhamos autonomia e participação no bolo alternativo”.

Com um dos últimos estados a terem aprovado o Consórcio, a governadora de Roraima, Suely Campos, destacou: “A unidade dos governadores da Amazônia é indispensável para o desenvolvimento da região. No Estado de Roraima, temos 70% das áreas de floresta preservada. No entanto, temos o desafio de implementar novas matrizes econômicas e aqui é neste fórum é o momento para trocarmos experiências”.

O valor do Fórum

Com grande empenho, o governador Tião Viana se esforçou para que a 16ª edição do Fórum de Governadores da Amazônia Legal tomasse proporções maiores, abrangendo mais temas e unindo mais gestores pelo fortalecimento da região, além de criar o “Encontro de Governadores do Brasil pela Segurança Pública e Controle das Fronteiras – Narcotráfico, uma emergência nacional”, que será realizado nesta sexta-feira, 27, dessa vez com governadores de todo o Brasil.

“O nosso Fórum hoje se encontra num momento de vitória, dentro dessa atividade política que nos une a cada 90 dias para a construção de uma agenda da Amazônia Legal. O Fórum aponta uma perspectiva de ações estruturantes para a infraestrutura da região. E possibilita o financiamento para os setores público, empresarial e comunitário”, conta Tião Viana.

Ao final do encontro, os governadores divulgaram a Carta de Rio Branco, com todos os assuntos debatidos e definidos durante o 16º Fórum de Governadores da Amazônia Legal.