Governo fortalece cultivo da mandioca com agroindústrias

Governo fortalece cultivo da mandioca com agroindústrias

Texto de Arison Jardim || Fotos de Sérgio Vale e Pedro Devani || Diagramação de Arison Jardim

08 de maio de 2018

Durante a infância em Xapuri, Nazareno Oliveira e Railson do Nascimento brincavam e participavam da rotina diária dos pais de plantar, cuidar e colher mandioca para a feitura da farinha, goma e tucupi. Com o passar dos anos, eles foram percebendo como o trabalho era bastante pesado e nem sempre rentável, realidade que mudou após conhecerem o modelo de agroindústria implementado pelo governo do Estado.

A cadeia produtiva da mandioca é um dos símbolos da identidade acreana, ao mesmo passo que os vizinho Nazareno e Railson exemplificam a união entre os trabalhadores rurais. Suas famílias sempre estiveram juntas nos roçados e hoje continuam essa tradição. “Depois de um tempo, meu pai foi se cansando na hora do trabalho e abandonou a farinha. Mas hoje estamos vivendo uma história nova com uma casa de farinha diferenciada”, relata Oliveira.

Nazareno e Railson conhecem, desde a infância, o trabalho no cultivo da mandioca (Foto: Arison Jardim/Secom)

Construída com apoio do governo do Estado, a agroindústria inaugurada em setembro do ano passado e localizada na propriedade de Oliveira dá um novo significado para a cadeia produtiva. A meta é chegar a 900 quilos de farinha produzida por dia e alcançar mercados além da região do Alto Acre, indo até mesmo para outros estados como Rondônia e Mato Grosso.

“Estamos felizes demais com esta área da produção. Eu acredito muito na mandioca, pois a área de terra que temos plantada hoje é muito pequena e traz um lucro extraordinário. Se for comparar a farinha com o gado, este requer muita terra para uma determinada quantia, ao passo que a farinha, não”, relata o também empresário Oliveira. Ele explica que um hectare de mandioca pode render até R$ 10 mil em uma safra.

Atualmente, já são oito famílias produzindo de forma integrada com a agroindústria. Conforme a demanda vá aumentando, a meta é chegar a 18 famílias. Uma delas é a de Nascimento. “Hoje com a agroindústria tudo é mais facilitado. Temos o trator para trabalhar, antes tinha que ser na enxada. O forno é tocado a motor; antigamente era no braço. Agora, com as coisas mais diferentes, a gente tem que correr atrás”, declara o agricultor.

Um governo para a produção

Durante a gestão do governador Tião Viana, foram iniciados o fortalecimento e a expansão da cadeia produtiva da mandioca com a formalização do modelo de parceria Público-Privada Comunitária Integrada (PPCI). Assim, Xapuri tornou-se o princípio da ação de governo em criar 32 agroindústrias no mesmo modelo, muitas já em fase avançada.

Com isso, o produtor constrói a estrutura da casa de farinha e o governo entra com o maquinário necessário para a produção em alta escala. Além disso, por meio do Fundo Agropecuário Estadual (Funagro), os agricultores têm os tratores e equipamentos essenciais para o plantio, preparo da terra, destoca e colheita. As secretarias de Agropecuária (Seap) e a de Extensão Florestal e Produção Familiar (Seaprof) executam esse processo.

O Acre deverá plantar mais 32 milhões de hectares de mandioca (Foto: Pedro Devani/Secom)

A expectativa é de que, quando esses empreendimentos iniciarem suas atividades, cerca de 32 milhões de hectares de mandioca serão necessários para garantir a demanda. A qualidade e a eficiência desses plantios já são garantidas. Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), o Acre tem o maior rendimento agrícola por hectare na produção dessa cultura.

“A gente agradece o auxílio do governo por esses investimentos na área da produção. Antes muitas pessoas tinham vontade de produzir, mas não tinham como fazer. Hoje vemos que é um momento novo e que estamos tendo todo o acesso: temos o trator, a grade e as máquinas que vieram para renovar a casa de farinha”, reafirma Oliveira.

Assim, pode-se dizer que o apoio do Estado está contribuindo para a retomada dessa cadeia produtiva tão importante para os acreanos. A produção de mandioca saiu de de 10,4 milhões de toneladas em 2011 para 12,3 em 2017, uma evolução de 18,27%. Com isso, o Acre é o segundo maior produtor dessa cultura da Região Norte, ficando atrás apenas do Pará. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Futuro

O cultivo dessa raiz tipicamente brasileira requer muita atenção tanto quanto a busca por mercado para seus produtos. “O trato precisa de muito cuidado para dar uma mandioca boa, desde o momento do plantio. Depois tem que ficar cuidando, não deixar o mato tomar conta”, afirma Nascimento, que tem 60 mil covas (pés de mandioca) plantados.

Esse conhecimento empírico dos agricultores é corroborado pela ciência. O estudo “Avaliação de Genótipos de Mandioca em Diferentes Épocas de Colheita no Estado do Acre”, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), explica a importância desse conhecimento na hora do cultivo e na escolha das espécies, tratos que podem definir o sucesso do plantio.

“O desconhecimento do ciclo pode acarretar prejuízos aos produtores, pois se a mandioca for colhida cedo há perda de produtividade por ainda não ter atingido o máximo de acúmulo de matéria seca. Se colhida tarde, o índice de podridão radicular, causada pelo fungo”, afirma a pesquisa, por exemplo.

Nazareno acredita estar alcançando um sonho (Foto: Arison Jardim/Secom)

Para Nascimento, esse aprendizado vem de longe e da experiência vivida ao lado do pai. “A gente nasceu e se criou nisso. Desde pequeno plantava na enxada e até hoje tenho o conhecimento de como é a mandioca”, afirma, sinalizando que agora o conhecimento, ajudado pela tecnologia e máquinários, leva a um futuro melhor para ele e a família.

“Eu penso em plantar mais, para a cada dia melhorar de vida. A gente mora aqui há tantos anos, e se eu for olhar para trás, as coisas melhoraram muito. Tanto da farinha como em outras coisas. É isso que eu penso para o futuro”, declara o jovem produtor.

Afinal, sentar-se no fim do dia na varanda de casa, ao lado da família, vendo seu futuro seguir com dignidade é um desejo simples e comum para os acreanos. Com o apoio do Estado, diversas famílias estão podendo alcançar seus sonhos com a agricultura no Acre. Oliveira é um deles.

“Eu me considero um empresário da farinha e confesso que sonhava com isso”, afirma. Com 25 hectares de mandioca já plantados, mais as terras que está comprando atualmente para plantar ainda mais, ele acredita ter alcançado parte de seus desejos.

“Toda vez que eu trabalhava na farinha, com dificuldade, acreditava que um dia iria existir algo diferente, e hoje sou uma pessoa feliz. Para mim, é um sonho realizado. Eu quero dias melhores e produzir mais para ter mais recurso e mais dinheiro em caixa, não é?”, declara, com um grande sorriso, o homem de negócios e agricultor familiar Nazareno Oliveira, morador do Ramal Pinheiro Barreto, comunidade Maloca.