Assinatura de documento encerrou a disputa entre Brasil e Bolívia e marcou um momento importante na trajetória de surgimento do Estado amazônico
Os negociadores do tratado, com Rio Branco ao centro (Foto: Acervo)
Nesta terça-feira, o Acre comemora 106 anos da
assinatura do Tratado de Petrópolis, documento de intenção que oficializou a
permuta e finaliza uma disputa entre o Brasil e a Bolívia em 17 de novembro de
1903 pelas terras onde hoje se localiza o Estado do Acre.
A data será marcada
este ano pela entrega de 106 obras e ações do Governo do Estado à população em diversas áreas como educação, infraestrutura, formação profissional,
melhoria da malha viária rural e expansão da rede de energia. Os investimentos
somam mais de R$ 146 milhões aplicados no desenvolvimento de ações em todos os
municípios do Estado.
O Tratado de Permuta de Territórios e outras
Compensações, conhecido como Tratado de Petrópolis, por ter sido assinado
naquela cidade do Rio de Janeiro, recebeu a intermediação do diplomata José
Maria Paranhos Júnior, o Barão de Rio Branco, passando a valer de fato com a
assinatura do decreto n° 5.161, de 10 de março de 1904. Foi a partir dessa data
que as terras pertencentes à Bolívia foram incorporadas definitivamente ao
Brasil. O acordo custou aos cofres brasileiros 2 milhões de libras esterlinas,
pagos à Bolívia, e mais 110 mil libras esterlinas como pagamento de multa ao
Bolivian Syndicate, que dois anos antes havia assinado contrato de arrendamento
para explorar os seringais acreanos no período de maior crescimento da extração
da borracha.
O documento, que contém dados detalhados sobre o
traçado das terras que pertenceriam ao atual Estado do Acre, previa ainda a
cessão de terras para a Bolívia na região do Estado de Mato Grosso e a
construção pelo governo brasileiro da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, com o
objetivo de transportar a borracha boliviana. As obras da ferrovia começaram
apenas em 1907 e foram concluídas em 1912, com um saldo negativo de 10 mil trabalhadores mortos, vítimas de
doenças tropicais e acidentes ao longo dos 366 quilômetros do percurso.
Não era somente a questão territorial o motivo da
disputa entre o Brasil e Bolívia. A região continha uma das matérias-primas
mais cobiçadas e valorizadas economicamente em todo o mundo, o látex. O
abandono em que se encontravam os seringueiros que se destacaram para a região
da Amazônia e o inconformismo pelas condições de trabalho geraram a revolta desta
população desde 1899, data da proclamação do Estado Independente, sob o comando
Luis Galvez Rodríguez de Arias, e termina em 1903, com a vitória da disputa
liderada pelo coronel José Plácido de Castro encerrando a Revolução Acreana e
chegou com a assinatura do Tratado de Petrópolis.
O Acre, que lutou para ser Brasil, só se confirmou depois do Tratado de
Petrópolis. Então, estamos preparando realmente uma comemoração em alto
estilo.
Binho Marques, governador No ano passado, durante as comemorações dos 105 anos
de assinatura do Tratado de Petrópolis, o governador Binho Marques anunciou o
início das obras da quarta ponte sobre o rio Acre e autorizou a licitação para o
novo eixo viário que compõe o Plano Diretor de Trânsito de Rio Branco.
Já neste ano, para
encerrar a programação, o Governo do Estado promove show da dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó, realizado
após a entrega das obras de duplicação e urbanização da Rodovia AC-90, em
Senador Guiomard. O show será aberto ao público.
“O Acre, que lutou para ser Brasil, só se confirmou depois do Tratado de
Petrópolis. Então, estamos preparando realmente uma comemoração em alto
estilo”, afirmou Binho Marques no Programa de Rádio Dois Dedos de Prosa, nesta segunda-feira, 16, onde ele falou sobre essa data e a programação especial.
Feriado estadual relativo à data foi transferido por meio de decreto para sexta-feira, dia 20.
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