Livro polêmico do Acre é lançado nesta terça no Rio de Janeiro

O depoimento de Genésio Ferreira da Silva foi decisivo na condenação dos assassinos de Chico Mendes (Foto: Elson Martins)
O depoimento de Genésio Ferreira da Silva foi decisivo na condenação dos assassinos de Chico Mendes (Foto: Elson Martins)

“Pássaro sem rumo – Uma Amazônia chamada Genésio”. Com esse título, está sendo lançado hoje, 27, no Rio de Janeiro, o livro-depoimento do acreano Genésio Ferreira da Silva que, aos 13 anos de idade, chamou atenção da imprensa nacional e internacional ao depor contra o fazendeiro Darli Alves e seu filho, Darcy Alves,  condenados a 19 anos de prisão pelo assassinato do líder seringueiro Chico Mendes.

O crime aconteceu em 22 de dezembro de 1988 e Genésio, que morava na fazenda dos criminosos, tornou-se testemunha no chamado “julgamento do século”, ocorrido em Xapuri em 1990.

Aos 7 anos de idade, Genésio foi levado pela mãe para morar com a irmã Natália, que fugira de casa para viver na Fazenda Paraná com Oloci, outro membro da família Alves, com ficha de crimes violentos. Filho de seringueiros como Chico Mendes, o menino, entretanto, passou a ser educado para ser o seu oposto. Aos 10 anos, foi induzido a domar um cavalo bravo que lhe aplicou um coice na barriga. Aos 11, ganhou de presente, do cunhado Oloci, um revólver de verdade carregado de balas. E aos 14, já era peão formado, gente da confiança do fazendeiro Darli, que o preparava para ser pistoleiro de aluguel.

Por essa condição de agregado da família Alves, na adolescência ele já frequentava as boates de Xapuri e bebia na companhia de pistoleiros. Por isso foi detido, em 1989, para depor sobre os crimes que testemunhara na fazenda e sobre a trama para matar Chico Mendes. Surpreendentemente, ele revelou tudo, num depoimento preciso e corajoso.

Entretanto, sua situação mudou: de protegido da família Alves, para mais uma pessoa com morte anunciada. Os Alves puniam com a morte aos que traíam sua trajetória de crimes. Por isso, o jornalista Zuenir Ventura, que ganhou o Prêmio Esso com uma série de reportagens sobre o caso Chico Mendes, praticamente sequestrou Genésio, com aquiescência do juiz Adair Longhini, quando ele se encontrava sob a guarda da delegacia de polícia de Xapuri (após ter dado o primeiro depoimento) e o levou para o Rio de Janeiro, tornando-se seu tutor até que atingisse a maioridade.

Com a ajuda de Zuenir, do bispo Dom Moacyr Grechi , da Prelazia do Acre e Purus e de outras pessoas influentes, Genésio frequentou bons colégios em Goiás, Minas e Rio Grande do Sul, na condição de interno, o que resultou numa saga atormentada. No manuscrito de 365 páginas que escreveu aos 27 anos (hoje tem 40), ele faz o seu terceiro depoimento, mais completo, detalhando a vida na Fazenda Paraná entre criminosos, e, posteriormente, o tormento em meio a desafios culturais na cidade grande, que não conseguiu dominar.

O livro está sendo lançado nesta terça no Rio (Foto: Elson Martins)
O livro está sendo lançado nesta terça no Rio (Foto: Elson Martins)

O manuscrito tem o tom rústico do narrador. Foi reduzido para 240 páginas, com a inclusão de fotos e textos complementares para facilitar a leitura, e está sendo publicado pela Editora Autêntica e o Instituto Vladimir Herzog com o objetivo de resgatar o valor testemunhal do jovem personagem amazônico.

O local de lançamento:  Livraria Brooks, na Praia do Botafogo, a partir das 19 horas, com um debate que conta com a participação do autor, do escritor e jornalista Zuenir Ventura e da presidente do partido Rede Solidariedade, a acreana Marina Silva.

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