“Não sei mais imaginar como seria Rio Branco sem o Parque da Maternidade”, diz Jorge Viana

“Não sei mais imaginar como seria Rio Branco sem o Parque da Maternidade”, diz Jorge Viana

“Eu não sei mais imaginar como seria Rio Branco sem o Parque da Maternidade. Porque ele é parte da vida, da funcionalidade da cidade.” A frase do ex-governador do Acre (1999 a 2006) Jorge Viana traduz o sentimento de quem tem orgulho da obra de urbanização que virou referência à época em que foi realizada.

Mas quem passa pelas vias do espaço público, seja a trabalho ou lazer, no coração da capital, às vezes não lembra do contexto e da tragédia envolta.

“Literalmente, foi um processo. O parque veio de uma situação muito ruim. Na época, o governador Edmundo Pinto tinha um sonho de fazer o parque – que era diferente desse. E todos aqueles processos foram para a Justiça Federal e MPF e a obra ficou judicializada, paralisaram. Houve a morte do governador e depois parou tudo”, comenta Viana.

“Até mesmo minha mãe falou: mas, meu filho, você vai mesmo mexer com esse negócio desse parque?”, relembra (Foto: Gleilson Miranda/Secom)

Entretanto, na sentença judicial, conforme Jorge Viana, houve uma situação peculiar. A Justiça Federal não apenas determinou a paralisação das obras, mas que o governo federal garantisse os recursos e o Estado do Acre executasse novo projeto.

“Quando eu assumi o governo, foi diante disso que eu me deparei. Estava judicializado, daí eu fui a Brasília, na Justiça Federal, pedir que o Acre fosse “condenado” a executar a obra. Por unanimidade, o Tribunal Regional Federal obrigou, então – a meu pedido -, que o governo executasse a obra. Nós queríamos fazer, era muito necessário”, destaca o ex-governador.

Mais com menos

No projeto original, pensava-se gastar 100 milhões de reais nas obras do Parque da Maternidade. Com as modificações propostas pela gestão, o orçamento caiu para algo em torno de 25 milhões.

“O nosso projeto foi feito a muitas mãos. Nós fizemos adaptações, mesmo na hora de construir, trazendo tecnologia bolsacreto [material utilizado na contenção de encostas e canalização de córregos], e a parte de urbanismo a gente fez algo que virou uma referência na nossa cidade, mudou o mapa de Rio Branco, melhorou a autoestima do nosso povo e passou a ser uma referência de intervenção urbana por conta dos igarapés”, pondera Viana.

Obra do projeto final custou cerca de R$ 75 milhões a menos que a proposta inicial (Foto: Arquivo A Gazeta)

E foi assim que o sonho outrora esquadrinhado ganhou forma e a urbanização mudou o cenário dos seis quilômetros, com 322.874 metros quadrados de infraestrutura ao longo do Igarapé da Maternidade.

A cidade, que antes não tinha muitas opções para práticas saudáveis, passou a contar com um espaço que contempla todas as faixas etárias, das pistas para caminhada à prática de esportes radicais, como skate, patins e bike.

“O grande efeito que o parque fez foi na autoestima dos moradores de Rio Branco. A cidade não tinha nada de urbanismo, arborização”, conclui.

Esgoto clandestino

“A única coisa que eu lamento mesmo, ainda, é que a gente não terminou o processo de retirada do esgoto das águas do parque”, desabafa o ex-governador.

Jorge Viana explica que na época foi instalada toda a rede coletora de esgoto para a destinação correta do efluente sanitário dos imóveis ao longo do manancial.

Entretanto, devido à ocupação desordenada de Rio Branco, muitas residências interligaram suas tubulações na rede de drenagem da água da chuva.

“E é por isso que o parque ainda é poluído, e não era para ser mais. Eu estou, inclusive, no meu mandato de senador, trabalhando emendas, recursos. Só vou sossegar quando a gente tiver a água do parque da maternidade livre de qualquer esgoto. Porque aquele esgoto que corre lá é clandestino”, finaliza.

Leia mais: Parque da Maternidade completa quinze anos

Texto e imagens: Secom