Ação policial que libertou reféns foi de “profissionalismo extremo”, classifica a cúpula da Segurança

Por Nayanne Santana em 11/10/2013 - 8:16 PM

Os representantes da Segurança Pública do Estado reuniram-se nesta sexta-feira, 11, para apresentar um balanço da operação bem sucedida durante a ação para libertar 25 reféns e prender dois acusados de tentativa de assalto a uma casa lotérica, na quinta-feira, 10, no centro da cidade.

Equipe da segurança avaliou como bem sucedida a libertação de reféns (Foto: Arison Jardim/Secom)
Equipe da segurança avaliou como “bem sucedida” a libertação de reféns (Foto: Arison Jardim/Secom)

Reuniram-se os secretários Reni Graebner, da Segurança Pública, Emylson Farias, da Polícia Civil, coronel José Anastácio, da Polícia Militar, e os militares que auxiliaram no gerenciamento da ação policial – o subcomandante da PM, coronel Júlio César, o major Alves e o negociador, capitão Giovani Galvão.

“Os primeiros policiais que chegaram para atender a ocorrência foram muito importantes. O bom desfecho foi possível graças à ação inteligente dos negociadores, do suporte que estava mobilizado e da atuação eficiente dos primeiros policiais que atenderam a ocorrência. Os negociadores chegaram minutos depois”, frisou o comandante-geral da Polícia Militar, coronel José Anastácio.

Segundo o comandante, os primeiros contatos foram feitos por uma equipe de guarnição que passava próximo ao local da tentativa de assalto. Em seguida a área foi isolada para evitar quaisquer transtornos. “Nossa preocupação era preservar a vida dos reféns e fazer com que os assaltantes se entregassem”, declarou Reni Graebner.

Equipe preparada – O subcomandante da PM, Júlio César, observou que a força policial que estava atuando no caso dispunha de todas as ferramentas e equipamentos necessários para ter um desfecho positivo. “Mas é preciso lembrar que a mente criminosa, infelizmente, é imprevisível. Nós estávamos com equipe tática para entrar rapidamente e neutralizá-los. Entretanto, optamos por negociar para preservar vidas”, afirmou Júlio César.

Ação foi administrada com técnica – O secretário de Polícia Civil, Emylson Farias, lembrou que foi instalado na Delegacia do Menor um “gabinete de administração da crise” e que a decisão foi fundamental para que a ação fosse coordenada e bem sucedida. “Um comando único vinha tomando as decisões, direcionado pelo negociador, por ser a pessoa que naquela hora compreendia como estava a situação no local”, disse Farias.

Emylson Farias destacou que a administração foi “extremamente técnica e profissional”. O secretário completou declarando que os policiais militares que estavam envolvidos na ação deram uma demonstração de profissionalismo extremo.

Apoio de outros órgãos – O comandante-geral da PM ressaltou que, além do Sistema Integrado de Segurança Pública – composto pela Secretaria de Segurança Pública, Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e Instituto de Administração Penitenciária (Iapen) – outros órgãos foram auxiliares na ação, entre eles a Ordem dos Advogados (OAB) seccional Acre, o Poder Judiciário, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans) e o Ministério Público.

“O Estado estava reunido naquela ação por completo para dar suporte aos negociadores, para auxiliar na libertação dos reféns e no conhecimento do perfil dos assaltantes. Em momento algum precisamos pedir apoio de outros Estados. Nossa equipe estabeleceu todo o suporte necessário”, disse Anastácio.

A negociação que salvou vidas – O capitão Giovani Galvão, da Polícia Militar, especialista em negociação de crises com reféns pelo GAT (Grupo de Operações Táticas) de São Paulo, foi um dos que participou da ação policial.

O militar foi a peça fundamental para que os dois acusados de cometer o assalto – Antônio da Silva Feitosa e Moisés do Nascimento da Silva -, se entregassem sem resistência, garantindo a integridade física dos reféns. Antes de Giovani Galvão a negociação fora gerenciada pelo capitão Cristian e o major Dantas.

“Nossa função é preservar vidas, e toda negociação era solicitando a libertação dos reféns. À medida que eles pararam de gritar, fi-los ver que eles teriam garantidas à integridade física e evitaríamos a exposição deles”, contou

Perfil dos acusados - Na avaliação do subcomandante da Polícia Militar, coronel Júlio César, Antônio Feitosa era o mentor do assalto, enquanto Moisés da Silva era seu comparsa na execução. Contudo, Moisés era o mais nervoso e agitado durante toda a negociação, enquanto Antônio se mantinha calmo.

“Moisés demonstrava um descontrole e Antônio foi mais tranquilo, tanto que foi o que saiu primeiro. Já Moisés, ao colocar a arma no chão, disse: ‘Seja o que Deus quiser’, e se entregou”, revelou o subcomandante.

A polícia ainda investiga uma terceira pessoa que poderia ser informante da dupla que tentou assaltar a lotérica.