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Saúde

Do hospital para um lar: o sonho de quem há anos necessita de cuidados especiais

Resley Saab
29.12.2018 13:00
Atualizado 29.12.2018 às 12:10

Passar o Natal em casa e confraternizar com a família é o desejo da maioria das pessoas. Para algumas, essa vontade é ainda mais significativa, um verdadeiro presente devido às limitações impostas por doenças.

É o caso de alguns pacientes internados no Hospital das Clínicas (HC) que não tinham condições de sair da unidade e passaram a residir no hospital unidade – em alguns casos, devido à necessidade da utilização de aparelhos como ventilador pulmonar ou por não ter residência ou familiar em Rio Branco.

No HC, essa era a realidade de cinco pacientes que estão há anos no hospital. A necessidade fez com que não somente o paciente, como também seus familiares, passassem a morar no local.

Assistente social Diovane Ferreira explica o processo para doação das casas e aquisição dos equipamentos (Foto: Júnior Aguiar/Sesacre)

A Secretaria de Saúde do Estado (Sesacre) se juntou à Secretaria de Habitação e Interesse Social (Sehab) para tentar amenizar o sofrimento desses pacientes e familiares.

Dois obstáculos precisavam ser resolvidos: uma casa para quem não tinha um teto para morar e os aparelhos, de custos extremamente elevados, que permitem que esses pacientes em condições extremas de saúde consigam viver fora do hospital.

“Apenas um desses pacientes ainda não tem condições de ter alta. Nós nos organizamos com a Sehab, porque três deles não possuíam casa. Conseguimos as residências e em parceria com a Sesacre eles ganharam todos os equipamentos como respirador e cama hospitalar”, destaca a superintendente do HC, Juliana Quinteiro.

Mãos que ajudam

Desde a chegada dos pacientes, a equipe de assistência social do HC se empenhou para garantir a melhor assistência possível aos pacientes e familiares, seja viabilizando o processo de benefício social ou na busca de garantir um lar para essas famílias.

A assistente social Diovane Ferreira trabalhou diretamente com a maioria das famílias e conta como foi esse processo. “O próprio governador Tião Viana, durante uma visita a esses pacientes, pediu que resolvêssemos essa situação.”

Todos esses pacientes vão ficar sob os cuidados do Programa Melhor em Casa, que é coordenado pela equipe do Samu, e os que ainda estão internados aguardam a adaptação dos equipamentos para que possam ter alta e ir para casa.

Dos quatro pacientes que estavam em condições de ganhar alta, todos receberam equipamentos como cama hospitalar. Três deles também foram beneficiados com residências no Loteamento Andirá e dois contemplados com respirador portátil.

Caso a caso

A paciente Alzenir Rufino, 42 anos, professora e moradora de Vila Campinas, foi diagnosticada com esclerose lateral, uma doença degenerativa. Desde 2016 ela está internada no HC e necessita de aparelhos para respirar.

Alzenir Rufino mora no HC desde 2016 e só espera se adaptar ao respirador e voltar para casa (Foto: Júnior Aguiar/Sesacre)

“O governador veio aqui e perguntou se eu tivesse aparelho eu iria para casa. Eu respondi que sim e ele cumpriu com a promessa dele. Agradeço muito. Agora a expectativa é só se acostumar com o aparelho e ir para casa. Já são dois anos e três meses que estou aqui no hospital. Esse tempo todo eu fiquei afastada da minha família porque eles moram na Vila Campinas e fica muito difícil o deslocamento diário. Graças a Deus está dando tudo certo. Minha família está muito feliz, para eles é muito difícil quatro filhos, sendo dois pequenos, e agora eles estão ficando mais tempo para aprender a mexer nos parelhos”, explica Alzenir.

Oriundo do Seringal São Francisco do Iracema, em Xapuri, o paciente Ismael Souza, 20 anos, foi diagnosticado com uma síndrome rara chamada Doença de Wilson. Em sua família, dois de seus irmãos morreram vítima da mesma doença. Souza “morou” no HC nos últimos três anos.

“O Ismael foi avaliado por uma equipe do Programa Melhor em Casa. Ele não tinha habitação em Rio Branco e a família não tinha condições de adquirir. Demos entrada na Sehab solicitando a residência, considerando a condição dele, e foi atendida. No mês de agosto foi fornecida pelo estado, e já está lá há dois meses”, explica a assistente Social Diovane.

Rubens Fernandes e Jucilene Ferreira saíram do Seringal Dois Irmãos, em Xapuri, para cuidar do filho Rogério, de 17 anos, que aos 14, começou a apresentar os sintomas também da Doença de Wilson. Desde sua internação, há quase um ano, os pais também passaram a ficar no hospital em tempo integral, deixando a filha menor que, também é portadora da doença, em Xapuri aos cuidados de parentes por não terem residência própria na capital.

Casas doadas aos pacientes ficam no Loteamento Andirá (Foto: Júnior Aguiar/Sesacre)

“Ficamos muito felizes quando soubemos que iríamos ganhar essa casa, não tínhamos nada, tudo que tem aqui foi doação, encontramos pessoas muito boas em nosso caminho. Até aqui a nossa trajetória foi grande, muito sofrimento e hoje graças a Deus conseguimos essa casa, tiramos ele do hospital, mas a luta continua”, conta a mãe de Rogério.

Já o paciente Elivânio Silva, 20 anos, internado no HC há 2 anos e 6 meses, diagnosticado com neuropatia degenerativa, doença que apresenta atrofia muscular generalizada e progressiva, veio do interior do Amazonas, município de Envira, e devido ao município não atender alta complexidade, também foi feito o processo para requerer uma habitação para ele.

“Como é um local distante, o pai ficava aqui dois meses aí voltava e a mãe vinha, ficava um tempo e retornava, então houve essa separação da família.  Como não foi possível fazer a transferência para o estado de origem, conversamos com eles, perguntamos se eles tinham interesse em morar aqui em Rio Branco, porque o paciente precisa de um atendimento de alta complexidade e já estava com alta programada, porém não tinha pra onde ir. Além disso, precisava de um equipamento que é o respirador pulmonar pra uso em domicílio”, explica Diovane.

Os pacientes continuarão recebendo acompanhamento por meio do programa Melhor em Casa, que é um serviço indicado para pessoas que apresentam dificuldades temporárias ou definitivas de sair do espaço de sua residência para chegar até uma unidade de saúde, ou ainda para pessoas que estejam em situações nas quais a atenção domiciliar é a mais indicada para o seu tratamento, que visa  proporcionar ao paciente um cuidado mais próximo da rotina da família, evitando hospitalizações desnecessárias e diminuindo o risco de infecções, além de estar no aconchego do lar.

Apenas com equipamentos como a cama hospitalar e os respiradores portáteis, o governo do Acre fez um investimento superior a R$ 130 mil.

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