Programa promoverá gastronomia de baixo carbono

Programa promoverá gastronomia de baixo carbono

Texto de Rose Farias || Diagramação de Adaildo Neto

O debate sobre a economia verde e de baixo carbono, recorrente em fóruns e encontros sobre o clima, aponta a necessidade de governos e corporações adotarem políticas e estratégias de desenvolvimento sustentável e redução de emissões de gases de efeito estufa.

No setor da alimentação, a discussão aponta desafios e indica que muito ainda precisa ser feito para fomentar uma cultura alimentar de qualidade, que não destrua o meio ambiente e valorize a produção local, principalmente com o uso de práticas sustentáveis de base inovadora e tecnológica.

Algumas iniciativas, programas e movimentos têm considerado a importância de trabalhar com processos e fluxos mais racionalizados em suas cadeias produtivas, além de aspectos ambientais e produtivos a partir de uma economia e de uma ecologia integral.

Reconhecendo a importância de promover o setor como ferramenta política de afirmação das identidades culturais locais, no Acre, o Programa de Gastronomia de Baixo Carbono, coordenado pelo governo do Estado pretende desenvolver uma cultura alimentar a partir de seu valor ambiental, econômico, ciência democrática, tradição, cultura, memória e ancestralidade.

Elaborado e coordenado por uma equipe de gestores do gabinete da primeira-dama Marlúcia Cândida, o programa apresenta conteúdos inovadores para fortalecer uma economia criativa promovendo o patrimônio agroalimentar e florestal acreano.

A primeira-dama cumpre agenda na Conferência do Clima COP23, em Bonn, na Alemanha, para apresentar o programa e o evento Katoomba Conferência Internacional XXV – Acre Gastronomia de Baixo Carbono, marcado para 5 a 7 de junho de 2018, no Centro-Escola de Gastronomia, em Rio Branco. O Katoomba é iniciativa do governo do Estado e da organização internacional Forest Trend.

Cultura alimentar – O programa apresenta como premissas: promover a conservação e uso sustentável da biodiversidade; a cultura alimentar dos povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares; a valorização da diversidade cultural, conhecimento tradicional e a segurança alimentar e nutricional; a pesquisa e inovação dos produtos da floresta e outras.

Toda a política para o setor será desenvolvida a partir do espaço Centro-Escola de Gastronomia e Hospitalidade, na Cidade do Povo, em Rio Branco. A inauguração está prevista para dezembro deste ano.

“No Centro-Escola, os alunos terão um aprendizado a partir do olhar na identidade cultural dos povos seringueiros, ribeirinhos e indígenas com sua rica e diversificada gastronomia original. Além disso, serão utilizados ingredientes das florestas e de áreas de cultivo dos produtores locais, produzidos com técnicas de baixo impacto socioambiental”, explica Marlúcia.

Desde 2012, atividades de formação, pesquisa e difusão do setor vêm sendo realizadas como oficinas, palestras, pesquisas, intercâmbios com chefs de cozinha e festivais gastronômicos.

Agendas de prospecção e negócios – Desde 2016, as agendas para consolidar as ações do programa vêm sendo realizadas. A ideia principal é buscar parcerias para dois projetos: o Centro-Escola de Gastronomia e Hospitalidade e o Katoomba Acre.

A primeira agenda ocorreu em setembro de 2016, em Lima, durante um dos maiores eventos gastronômicos do Peru, a Feira Mistura, organizada para mostrar a rica biodiversidade e riquezas do país vizinho.

Outra ação foi o encontro do governador Tião Viana e Marlúcia Cândida com Kimbal Musk, dono da rede de restaurantes The Kitchen Cafe, LLC, no estado do Colorado (EUA).

Em La Paz, Bolívia, a terceira agenda envolveu visitas a projetos e encontros com representantes de instituições de financiamento que promovem o setor.

Em setembro deste ano, na cidade de Balikpapan, na Indonésia, como convidada da organização internacional Forest Trend, a primeira-dama apresentou o programa na Reunião Anual do GCF (Força-Tarefa dos Governadores para o Clima e Florestas (Governor’s Climate and Forests Task Force).

Durante a Semana Mesa São Paulo, em outubro deste ano, no evento Mesa Tendências, na abertura da palestra “Eu Acredito: a Cultura Alimentar do Acre Indígena”, com a chef Mara Alcamim, do Universal Diner de Brasília (DF), Marlúcia convidou chefs e pesquisadores para o Katoomba Acre.

Uma outra agenda no evento foi com Carlo Petrini, palestrante do Mesa Tendências. O jornalista italiano fundou há mais de trinta anos, o movimento Slow Food.

“Foi muito especial o encontro com Petrini. Aproveitamos para compartilhar o programa de gastronomia e o convidamos para o Katoomba Acre”, disse.

Economia diversificada e de baixo carbono

O programa tem interface com as bases do desenvolvimento sustentável do governo do Acre. Nos últimos três anos, o governo implantou um modelo de economia diversificada, adotando políticas públicas de fomento para assegurar a sustentabilidade do desenvolvimento. Ao aplicar o modelo de negócios baseado na parceria público, privada e comunitária, alcançou índices satisfatórios em várias áreas.

A economia diversificada tem promovido a distribuição de renda, inclusão social e agregação de valor à produção florestal e agropecuária. Além disso, o governo tem desenvolvido uma política de base industrial e de manejo sustentável da água e dos solos em áreas abertas, consolidando as cadeias produtivas de proteína animal de baixo carbono de alta inclusão social e tecnologia (piscicultura, suinocultura, avicultura, bovinocultura e ovinocultura).

Nos últimos 12 anos, o estado reduziu em 66% a taxa de desmatamento, e o governo assumiu o compromisso de zerar o desmatamento ilegal até 2020, por meio do controle, fiscalização e promoção do desenvolvimento sustentável e fomento de cadeias produtivas florestais e agropecuárias que valorizam a floresta em pé.

Neste cenário, o estado apresenta uma combinação de altas taxas de crescimento econômico, melhoria dos indicadores sociais e conservação de 87% de suas florestas.

Katoomba Acre

Katoomba Acre debaterá os desafios e oportunidades de inovação e reposicionamento da gastronomia Amazônica. O evento reunirá profissionais e especialistas que trabalham com sistemas alimentares da Amazônia.

O formato terá painéis, palestras, mostras de produtos, oficinas, aulas, arte, contação de histórias e outras atividades.
Um dos objetivos do Katoomba Acre é o de fortalecer a produção e consumo de alimentos da sociobiodiversidade amazônica em bases sustentáveis que contribuam com a redução do desmatamento e geração de emprego e renda para as comunidades indígenas, extrativistas, rurais e urbanas.

“Além disso, a ideia é promover o intercâmbio entre experiências exitosas de gastronomia e sistemas alimentares sustentáveis em níveis nacional e internacional e também formular modelos inovadores de parceria pública, privada e comunitária ampliando as oportunidades para investimentos nas cadeias produtivas alimentares regionais”, explicou Marlúcia.