Saneamento integrado proporciona um caminhar mais digno em Porto Walter

Saneamento Integrado proporciona um caminhar mais digno em Porto Walter

Nas margens do Rio Juruá se encontra Porto Walter, mais uma de tantas cidades ao longo de seu curso. Com suas tradições ribeirinhas, a pequena cidade cresce no caminho entre o segundo maior município do estado, Cruzeiro do Sul, e o mais a extremo oeste, Marechal Thaumaturgo, fronteira com o Peru.

Assim como Marechal, Jordão e Santa Rosa do Purus, outros três locais ditos isolados – com acesso apenas por água ou ar -, Porto Walter está recebendo as obras do programa estadual Saneamento Ambiental Integrado.

Ao todo, serão trabalhadas 16 km de ruas, quase 100% da cidade (Foto: Sérgio Vale/Secom)

Após os primeiros quatro quilômetros de vias, com redes de água e esgoto e pavimento, entregues no fim de 2016, a comunidade vê um grande avanço na ampliação de novas ruas e na construção de 50 módulos sanitários para famílias necessitadas, que compreendem desde banheiros à interligação correta junto à rede coletora de esgoto.

Ao final, serão 16 quilômetros de ruas pavimentadas, com redes de distribuição de água e coleta de esgoto, totalizando quase 100% de cobertura da cidade.

“Em breve, Porto Walter terá água 24 horas. Seu sistema de esgoto estará entrando em operação já no final deste ano e suas ruas serão passarelas de tijolo maciço. Uma cidade a se orgulhar de seus moradores e visitantes”, afirma Edvaldo Magalhães, diretor-presidente do Depasa (Departamento Estadual de Pavimentação e Saneamento).

O órgão, junto à Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan), faz a gestão do programa, no qual o governo, com apoio do Banco Mundial, está investindo R$ 100 milhões nos quatro municípios. “Algo inédito na Amazônia. Uma decisão corajosa do governador Tião Viana”, reafirma Magalhães.

Famílias em novo ambiente

A estruturação dessas cidades visa tornar mais digna a vida das famílias. Além disso, o saneamento é investimento na saúde pública, pois possibilita a redução nos casos de infecção por água contaminada e/ou esgoto a céu aberto, proporcionando, ainda, a preservação do meio ambiente.

Esse é o ambiente ideal para a construção de novas famílias. Elisson Ferreira e a esposa Blena da Silva, que está grávida, já começam a sentir a diferença com as obras que ocorrem na frente de sua casa.

Elisson e Blena percorrendo a nova rua que dá acesso a sua casa (Foto: Sérgio Vale/Secom)

“Antes era bem feia nossa rua, era um matagal bem grande. Quando íamos sair, tinha que ir com o sapato na mão. Se chovesse, era muita lama. A gente está vendo agora a esperança de dias melhores”, afirma Ferreira, que tem deficiência motora nas pernas e sempre conta com a ajuda dos amigos para se locomover pela cidade.

O bairro Portelinha, onde mora o casal, é uma das áreas em que foram abertas novas ruas, após uma ampliação do projeto inicial. Ao todo, são mais de dois quilômetros de vias abertas, onde, na frente das casas, antes havia apenas ou um caminho ou apenas mato.

Na varanda de sua casa, outro morador vê o avanço das máquinas sobre o barro compactado. Gustavo de Amorim, que também aguarda a chegada de um novo membro para a família, com a esposa Antônia Barbosa, recebe com esperança o benefício. “Agora a gente pode dizer que é um sonho realizado isso aí. Isso é muito bom para mim, para minha família e para meus vizinhos”, diz.

Módulos sanitários

Outra etapa importante do programa é a construção de 50 módulos sanitários para famílias de baixa renda, previamente selecionadas. A primeira contemplada é símbolo da luta das famílias seringueiras que buscam um novo espaço nas cidades.

Marina Celina Lopes do Nascimento decidiu, junto com o marido, sair do Seringal Vizeu, onde nasceu, para buscar estudos para os filhos há mais de 10 anos. Mesmo com a perda da visão, Celina tinha que enfrentar, todos os dias, uma grande distância desde a porta de sua casa até um pequeno sanitário no fundo do quintal. “Seu menino, eu mesmo ia para aquela sanitária acolá, longe da casa. Precisava a minha menina ir me buscar, porque é longe”, relata.

Agora, ela conta com um espaço adequado, no qual pode percorrer sozinha, como faz questão de demonstrar. “Mas agora mudou muito, tem a sanitária, a caixa d’água, o chuveiro para tomar banho. Hoje mesmo, a menina encheu a caixa, ela está cheinha”, conta Celina, logo após lavar a louça do almoço.

Valorizando a vida comunitária

Essas localidades beneficiadas com as obras de saneamento começam a construir um novo significado para cidades isoladas. Ali, em meio à tradição e cultura amazônica única, com acesso apenas por água e ar, famílias conhecem a importância de uma urbanidade bem organizada e digna para si.

“Estou aqui batendo feijão, meu amigo. Esse é do tipo peruano”, afirma José Carlos de Oliveira, que há dois anos se mudou para Porto Walter. Toda a vida trabalhando na agricultura, mesmo na zona urbana, ele não deixou sua tradição de plantar e colher feijão.

Agora, Oliveira e o filho fazem o trabalho na nova rua que está sendo aberta na frente de sua casa, enquanto os trabalhadores constroem um módulo sanitário em seu terreno. “A gente fica mais feliz assim, vai ficar muito melhor com esse banheiro”, afirma.

Com as obras a todo vapor, esse novo ambiente vai de encontro com o sentimento dos moradores da pequena cidade. “Nasci e morei minha vida toda aqui, nem pretendo sair, ainda mais agora que vai melhorar bastante o acesso para a gente”, confirma Ferreira.

Saiba mais sobre as obras nos outros municípios

Textos e diagramação: Arison Jardim || Fotos: Sérgio Vale