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Saúde

Saúde Itinerante: há 18 anos na estrada levando dignidade e ações de cidadania

Lane Valle
02.10.2018 15:13
Atualizado 11.10.2018 às 13:12

Fruto de empenho e dedicação do médico e governador Tião Viana, na época senador da República, o Saúde Itinerante foi criado com o propósito de levar ações de saúde e cidadania às comunidades carentes e isoladas pelo interior do Acre. Há 18 anos na estrada, o programa, vinculado à Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre) e que se tornou política pública, já percorreu os 22 municípios acreanos contabilizando mais de 600 mil atendimentos.

 

Atendimentos do Saúde Itinerante e Mulher Cidadã em Xapuri aconteceram na Escola Madre Gabriela Nardi (foto Val Fernandes)

Na última semana, dias 28 e 29 de setembro, o Saúde Itinerante estacionou no município de Xapuri. Grávida de nove meses, Jade da Silva, de 16 anos, chegou cedo para ser consultada com o ginecologista e fazer um exame de ultrassonografia.

“Sabendo que posso ganhar neném a qualquer hora, não tem como ir até Rio Branco para fazer uma ultrassonografia, já que aqui é muito caro. Já paguei uma vez, mas não tinha como pagar de novo. Quando soube do Saúde Itinerante esse final de semana fiquei muito feliz, porque é uma oportunidade de me consultar e saber como o bebê está”, conta a futura mãe.

Valdete da Silva, 41 anos, é uma das pacientes que também foi atendida pelo programa na edição realizada este final de semana, do outro lado do Rio Acre, na Escola Estadual Madre Gabriela Nardi, no bairro Sibéria. Ela conta que, acompanhada por outras pessoas de alguns seringais da região, fez uma caminhada de quase quatro horas para ir ao local dos atendimentos.

“Avisaram no início da semana que os médicos iriam estar aqui. A caminhada é difícil, mas prefiro andar algumas horas do que ter que percorrer vários quilômetros e gastar dinheiro indo até a capital. A gente vem porque realmente precisa e graças a Deus que temos essa opção. Com certeza, uma ação muito importante para quem não tem acesso a saúde e condições de se deslocar em busca dessa assistência”, explica a trabalhadora.

Sempre a frente das ações do Saúde Itinerante, desde a sua implantação, isso no ano de 2000, a enfermeira e coordenadora do programa, Celene Maia, se emociona ao lembrar de atendimentos marcantes ao longo desses anos. Ela também conta que o trabalho iniciou com uma equipe de oito pessoas, sendo cinco médicos na época. Hoje, com mais de 30 profissionais rodando junto com o Saúde Itinerante, várias especialidades foram incorporadas nos atendimentos além da ampliação dos serviços.

“Sou grata por estar à frente de um programa tão lindo que representa vida e dignidade para tantas famílias que foram alcançadas ao longo desses 18 anos. São histórias comoventes, como a do bebê Sebastião Kennedy, portador de uma síndrome rara, mas que graças a Deus tivemos tempo de chegar até o seu municio e mudar sua história. Posso dizer que ao longo de todos esses anos o aprendizado foi grande, muitas lições aprendidas. A cada atendimento o Saúde Itinerante foi se aprimorando e hoje com mais profissionais e especialidades tentamos oferecer o melhor à população”, destaca.

Com 18 anos de sua implantação, o Saúde Itinerante já realizou mais de 600 mil atendimentos nas mais diversas áreas, garantindo equidade no acesso com cobertura universal e gratuita, levando mais qualidade de vida a populações de difícil acesso do Acre. Foram mais de 228,2 mil consultas, 41,3 mil exames e 51,8 mil procedimentos diagnósticos – contabilizando 21.141 ultrassonografias e 20 mil exames de Papanicolau, que serve para diagnosticar inflamação vaginal, doenças sexualmente transmissíveis como o HPV e para identificar a presença de câncer de colo do útero.

Mais de mil atendimentos em dois dias

Durante os dois dias de atendimento, sábado e domingo, mais de mil pessoas foram atendidas pela equipe do Saúde Itinerante e Mulher Cidadã, no município de Xapuri. Foram ofertados clínico geral, gastroenterologia, ginecologia/obstetrícia, ortopedia, pediatria e psiquiatria, além de exames de apoio diagnóstico com ultrassonografia, preventivo do câncer de colo do útero, exames laboratoriais e eletrocardiograma. As ações também contaram com dispensa de medicamentos, serviço social, vacinação, rodas de conversa, corte de cabelo e emissão de documentos.

“Cheguei para fazer uma consulta e vi que estavam cortando o cabelo também. Não perdi tempo e aproveitei para dar uma caprichada no visual. Cuidando da saúde e da beleza ao mesmo tempo, esse sim, é um programa completo”, comemora a dona de casa Rubilene Alves.

Parceria que deu certo

A parceria entre o Saúde Itinerante, programa da Sesacre e o Projeto Mulher Cidadã – coordenado pelo gabinete da vice-governadoria do Estado, que também se tornou lei ano passado, tem sido sucesso. Desde 2015, os atendimentos de saúde pelo interior passaram a ganhar a participação do Mulher Cidadã, que completou no último final de semana sua 31ª edição.

“Hoje o Mulher Cidadã é uma política pública, que através de lei se tornou um programa desde o ano passado. Levando ações de cidadania, emissão de documentos, abordando temas importantes por meio de rodas de conversa sobre violência contra mulher, drogadição, serviços ambientais, empreendedorismo, entre outros”, ressalta a coordenadora do Programa Mulher Cidadã, Fran Albuquerque.

Além do Saúde Itinerante, o Mulher Cidadã, cuja finalidade é ofertar atendimento integral as necessidades das mulheres nas áreas da saúde, segurança, educação, trabalho, cidadania e assistência social, é realizado em parceria também com a Defensoria Pública Estadual, Ministério Público do Acre e prefeituras.

Diretrizes do Programa

Com o objetivo de garantir atendimento médico especializado e cirúrgico, o Saúde Itinerante tem suas ações pautadas no controle e regulação, atendendo às populações residentes nos municípios isolados, de difícil acesso e em locais com insuficiência da oferta assistencial, proporcionando uma modalidade de saúde com ênfase na resolutividade e continuidade da assistência.

O planejamento das ações é baseado nos indicadores de saúde de cada município, atendendo comunidades isoladas, com necessidades de atenção especializada à saúde, que são reguladas pela unidade básica local, observando o que está estabelecido no Plano Diretor de Regionalização (PDR) e as peculiaridades de cada um.

Os locais de atendimento são definidos de acordo com a articulação com as redes de atenção local, evitando a compartimentação de ações e a busca espontânea de atendimento. Os atendimento têm duração média de dois a três dias e ocorrem em sua maioria nos fins de semana.

A equipe do programa é composta por médicos, biomédicos, assistentes sociais, enfermeiros, técnicos em enfermagem e equipe de apoio.

As especialidades médicas são cardiologia, cardiopediatria, cirurgia-geral, clínica-geral, dermatologia, gastroclínico, geriatria, ginecologia, hematologia, infectologia, neurologia, oftalmologia, oncologia, ortopedia, otorrinolaringologia, pediatria, psiquiatria, reumatologia, ultrassonografia e urologia.

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