Suinocultores do Alto Acre iniciam adequações em granjas com orientação do Idaf

Suinocultores do Alto Acre iniciam adequações em granjas com orientação do Idaf

Texto de Nayanne Santana || Fotos de Júnior Aguiar || Diagramação de Adaildo Neto

Rio Branco, 22 de abril de 2018

De olho no mercado de exportação, suinocultores de Epitaciolândia deram início às adequações nas granjas de suínos, com apoio técnico da equipe do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf/AC), atendendo orientação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Entre as adequações, está a barreira sanitária, que visa restringir a circulação de animais e plantas nas áreas de criação dos suínos e, ainda, prevenir riscos de contaminação e disseminação de pragas e doenças.

Danilo Mazzo, gerente do programa de sanidade suína do Idaf, explica que a vinda da equipe ao estado fez com que se aderisse ao modelo de compartimentação. “É um processo para que possa ser feita a exportação de suínos do Acre para o Peru e a Bolívia, um mercado que está ao nosso lado e temos o produto para ser exportado”, detalha.

O gerente do programa observa que como o Acre ainda não é reconhecido como zona livre de febre aftosa sem vacinação, o MAPA exigiu que fossem feitas as adequações nas 25 granjas de Epitaciolândia. “Já realizamos as visitas às propriedades fazendo a orientação sobre a construção das barreiras sanitárias e a inclusão de telas em volta de toda a granja. Em algumas, será preciso também alterar processos no modo de operação para conseguir a liberação de exportação. Foi-nos dado um prazo de 90 dias para organizar tudo que foi solicitado.”

Produtor parceiro

De acordo com Danilo Mazzo, os criadores de suínos receberam de maneira positiva as equipes do Idaf que repassaram as orientações do MAPA.

As granjas dos produtores Eva Andrade de Souza e Gleidson dos Santos e de Edvaldo Souza já estão em fase final de ajustes. Vizinhos de propriedade, Edvaldo e Gleidson fizeram uma permuta de serviços para que uma parte essencial da adequação seja feita em suas granjas.

“O Gleidson sabe trabalhar com construção, então, a gente fez uma troca de serviço. Ele vai construir o banheiro na minha propriedade e, em troca, eu vou trabalhar na lavoura da propriedade dele na época de plantio e colheita. Assim, eu não preciso ter mais um gasto que seria contratando um pedreiro”, contou Edvaldo Souza.

O banheiro ao qual se refere Edvaldo Souza é parte fundamental nas granjas de criação de suínos por está incluído na barreira sanitária. “A partir dessas alterações, quem vier a uma granja de suínos vai precisar tomar um banho antes de entrar, colocar uma roupa limpa e só então, poderá ter acesso à granja. Na saída, toma-se outro banho e veste a roupa que veio usando antes de entrar no local. Isso evita a exposição dos animais a doenças”, pontua Danilo Mazzo.

(Foto: Júnior Aguiar)

Há quatro anos Eva Andrade tornou-se criadora de suínos. Ela lembra que iniciou na suinocultura logo que o programa foi implantado pelo governo do Estado e destaca que o apoio da gestão estadual tem sido fundamental para seguir avançando nessa cadeia produtiva.

Além do Idaf, os criadores recebem assistência da Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof), que, inclusive, tem parte na atuação de readequação das granjas de criação de suínos.

A partir de agora, as propriedades contam, também, com as lagoas de estabilização para tratamento de dejetos suínos. Elas estão entre os métodos de tratamento de águas residuárias e industriais mais fáceis de se instalar. As lagoas são construídas pelo Estado por meio da Seaprof em parceria com os produtores rurais.

“As lagoas são mais seguras tanto para quem cria os animais, quanto para o meio ambiente. Os dejetos que são enviados pra elas, depois de 40 dias, podem ser utilizados como adubo”, destaca o gerente do programa de sanidade suína do Idaf.

Cada propriedade terá, em média, duas lagoas que devem ser utilizadas em revezamento de quarentena.

Investimento que garante renda

Edvaldo Souza ressalta que, embora as adequações exijam investimentos por parte do produtor, elas possibilitarão o aumento na renda, tendo em vista a possibilidade de abertura do mercado externo.

Antes eu tinha que trabalhar na diária por aí, me arriscando com roçadeira, para ganhar uma diária de 50 ou 60 reais. Com a criação de suínos, tenho o dinheiro para pagar a energia. Já comprei equipamentos para minha casa e pago todas as parcelas no banco, porque este galpão é financiado. Também consegui pagar o casamento da minha filha. De onde eu ia tirar |dinheiro| se não tivesse isso aqui? Minha vontade é ampliar mais


Edvaldo Souza
Produtor Rural

O suinocultor revela que gasta em média duas horas por dia para cuidar dos cerca de 300 animais que tem em seu galpão, passando pelo processo de engorda. O restante do tempo é utilizado apenas para monitoramento. “Você faz o trabalho que deve ser feito e fica só de boa. Volto aqui umas oito vezes no dia, mas para verificar se tudo está bem. Se minha esposa ouve um barulho, ela vem logo olhar”, comenta Souza.

Edvaldo Souza comenta que a expectativa com a exportação é ampliar a renda e seguir com o sonho de construir sua nova casa, em alvenaria, na área de entrada da sua propriedade. “A sensação ao olhar isto aqui é de ser um empreendedor de suínos e ter uma renda mensalmente que posso contar com ela. Chegou no dia exato e posso ir receber, pois está tudo cem por cento. Por isso, a minha vontade é, depois de construir a casa, aumentar a granja”, acrescenta o criador.

Cadeia consolidada

Os animais que ficam na engorda nas 25 granjas de Epitaciolândia são oriundos da Unidade Produtora de Leitões (UPL) da Dom Porquito, indústria de exportação de carne suína instalada em Brasileia.

Eles são criados a partir de inseminação artificial de animais de excelência, gestados pelas fêmeas de suínos que recebem tratamento especializado nos galpões da indústria e nascem na maternidade da própria Dom Porquito, recebendo todo o acompanhamento profissional que garante que animais de qualidade e sadios sejam encaminhados aos galpões de engorda dos produtores de Epitaciolândia.

Quando os suínos chegam aos galpões, têm em média de 20 a 25 quilos. Eles permanecem no local por aproximadamente 90 dias, até atingirem o peso médio de 110 quilos. Depois disso, são enviados ao abatedouro da Dom Porquito, o mais moderno do país.

Com todo o ciclo fechado, o produtor que atua na engorda do animal tem a garantia de recebimento de renda porque a empresa garante a compra com pagamentos mensais.