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Educação

Universitários contam como Escola Integral no Acre ajudou na formação

Mágila Campos
01.10.2018 9:25
Atualizado 17.10.2018 às 8:59

Em menos de dois anos de implantação as escolas de Ensino em Tempo Integral do Acre já apresentam resultados positivos. Estudantes que passaram pelo processo de transição, ensino regular para o integral, e hoje estão fazendo cursos superiores, relatam o que o novo método de ensino proporcionou na vida deles.

“O primeiro contato com a escola integral foi difícil, principalmente na parte da adaptação, porque foi algo novo, passamos a vida inteira estudando só um período e de repente, passamos a ficar mais de nove horas na escola,”, conta Ítalo Silva, ex-estudante da Escola Boa União, uma das primeiras do Acre a aderir ao sistema.

Para Rayly, estudar em uma escola de ensino integral sempre foi um sonho (Foto: Assessoria SEE)

Já para Rayly Dias, colega de Ítalo, a mudança representou a realização de um sonho. “Sempre admirei o modelo das escolas de fora que tinham aulas o dia inteiro, e queria isso há muito tempo, mas aqui não tinha, e quando veio para cá e logo pra minha escola foi uma alegria imensa pra mim”, diz.

Assim como Ítalo, Matheus Szilagyi também estranhou os primeiros dias no novo formato: “Mudou tudo né, antes eu estudava um período e no outro jogava futebol, daí quando começamos a estudar os dois turnos, nossa rotina foi toda alterada e isso assustou um pouco no início”, diz.

Mas segundo eles, a fase do estranhamento durou pouco e logo no primeiro mês perceberam que o novo modelo de ensino seria um diferencial na vida deles. “Percebemos que estávamos no terceiro ano do ensino médio e que precisávamos estar preparados para enfrentar o Exame Nacional do Enem (Enem) se quissemos ingressar em uma universidade, e nada melhor do que estudar o dia todo para isso”, relembra Matheus.

“Estudávamos o dia inteiro com foco no Enem e tínhamos a oportunidade de focar nas áreas de interesses”, destaca ítalo (Foto: Assessoria SEE)

Ítalo complementa: “Estudávamos o dia inteiro com foco no Enem e tínhamos a oportunidade de focar nas áreas de interesses, que mais nos ajudariam a conseguir passar nos cursos superiores que desejávamos”, explica.

Na opinião dos estudantes, isso foi algo que ajudou a conseguir boas notas, porque já tinham familiaridade com os assuntos e os tipos de exames. “A prova do Enem não foi um choque pra gente, porque já estávamos acostumados ao tipo de teste, porque os simulados eram bem parecidos, ai já tínhamos noções dos tipos de questões, o tempo e isso ajudou bastante na hora de fazer as provas”, ressalta Rayly.

Tanto que os três hoje são graduandos, Rayly cursa Física na Universidade Federal do Acre (Ufac), e Ítalo e Matheus fazem Ciências Biológicas no Instituto Federal do Acre (Ifac).

Para Rayly as aulas diferenciadas do ensino integral ajudaram até a decidir sobre a carreira que queria seguir. “Nós tínhamos aulas práticas de laboratório toda semana, fazíamos projetos e experimentos, e isso me fez gostar ainda mais de física e decidir que era isso que eu queria para o meu futuro”, diz.

Os futuros biólogos contam que as aulas laboratórias do ensino médio ajudam até hoje. “Eu achei as aulas praticas de laboratórios uma revolução, porque são coisas que a gente vê só na faculdade e nós tivemos a oportunidade de ter ainda no ensino médio, e isso tornou nossa vida acadêmica mais fácil”, conta sorridente Matheus.

Estudante Matheus Szilagyi sonha em se tornar biólogo (Foto: Assessoria SEE)

Além de facilitar a vida pós-médio, o modelo de ensino ajudou a criar vínculos ainda maiores dos estudantes com a escola. “Até hoje a gente sempre vem aqui na escola para ver como está o andamento, porque nos apaixonamos por esse modelo de escola e queremos mostrar para os novos estudantes como é bom e faz a diferença na vida da gente”, diz Rayly.

Em todo o estado estudam hoje cerca de 4,4 mil alunos em período integral nas 10 escolas públicas estaduais que aderiram ao formato Escola Jovem. Além da Boa União, o novo sistema educacional funciona no Instituto Lourenço Filho (IELF), e nas Escolas Glória Perez, Humberto Soares, José Ribamar Batista (Ejorb), Sebastião Pedrosa e Armando Nogueira (Cean).

Todas estas instituições começaram a funcionar em Tempo Integral em 2017, na capital, Rio Branco. Este ano o governo ampliou o modelo para os municípios do interior do Estado e as regionais do Juruá, Tarauacá/Envira e Alto Acre foram contempladas. Nessas localidades tem escolas nas cidades de Cruzeiro do Sul, (Craveiro Costa), Tarauacá (Djalma Batista), e Brasileia (Kairala José Kairala).

Para tornar esse modelo uma realidade, o governo acreano investiu, em 2017, R$ 21 milhões dos R$ 28 milhões dos recursos destinados à escola em tempo integral, ou seja, 75% do total. Os outros R$ 7 milhões vieram de repasses do governo federal por meio do Ministério da Educação (MEC).

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