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Acre apresenta caminho para desenvolvimento sustentável durante Conferência do Clima, na Alemanha

Da Redação
10.11.2017 10:00
Atualizado 10.11.2017 às 10:00

O Acre se prepara para fazer parte da agenda da Amazônia Legal, evento paralelo que será realizado durante a Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-23), que teve início na segunda-feira, 6, em Bonn, na Alemanha.

Em conjunto com outros estados da região, o Acre participa do Amazon-Bonn, dia dedicado a Amazônia, que ocorrerá no dia 14 de novembro, no Museu de Arte. O evento é um marco por reunir todos os estados da Amazônia Legal para discutir os desafios e oportunidades de desenvolvimento sustentável da região.

A agenda foi amplamente debatida por todos os secretários de Meio Ambiente de nove estados durante o 16° Fórum de Governadores da Amazônia Legal, realizado em Rio Branco em outubro deste ano.

“Devemos ter compromisso com a agenda planetária inadiável, que é a de uma economia inclusiva, verde, sustentável”, destaca o governador Tião Viana, ao reafirmar o compromisso acreano com a questão do clima global.

A COP-23 reunirá autoridades de diversos países com o intuito de viabilizar formas de promover os objetivos do Acordo de Paris e alcançar progressos em sua implementação.
O encontro é presidido pela República das Ilhas Fiji e organizado pela Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática [UNFCCC, na sigla em inglês], em parceria com o governo alemão.

“Em bloco, os estados da Amazônia estão levando uma mensagem para o mundo. Na COP 23, em Bonn, vão estar reunidos mais de 200 países. A mensagem é: precisamos proteger nossos recursos naturais, nossas florestas e nossos rios. Mas não podemos deixar de desenvolver ao mesmo tempo, e por isso levamos propostas de ações com base sustentável”, explica o secretário de Meio Ambiente do Acre, Edegard de Deus.

Símbolo de reconhecimento

O compromisso do Acre em manter sua Floresta Habitada – valorizando seus povos e comunidades tradicionais, Produtiva – fomentando as suas cadeias de produção de baixo carbono e Conservada – reduzindo a pressão sobre a floresta e seus recursos naturais, o credencia como pioneiro nas políticas públicas voltadas para a nova agenda da economia verde.

Como aliar desenvolvimento, sustentabilidade e preservação é uma grande questão, que tem no Acre um caminho apontado por Chico Mendes (líder seringueiro assassinado em 1988, reconhecido internacionalmente por sua luta em defesa da natureza), que vem desde a criação das reservas extrativistas até a base das políticas hoje implementadas.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a redução no desmatamento foi de 34% entre agosto de 2016 e julho de 2017. Mesmo com a preservação do meio ambiente, o Acre aumentou o Produto Interno Bruto (PIB). Em 2002, o PIB do Acre era de R$ 2,9 bilhões, e em 2014 o número saltou para R$ 13,4 bilhões.

A política de desenvolvimento sustentável do Acre tem servido como referência para uma nova agenda do clima, pautando encontros como o da Força-Tarefa dos Governadores pelo Clima e Florestas (GCF), mais recentemente. Sua política de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal com Benefícios Socioambientais (REDD+), o torna o primeiro governo subnacional a receber compensação por resultados na redução de emissões de carbono.

Nos Estados Unidos, os governos da Califórnia e do Colorado também reconhecem o modelo de desenvolvimento do Acre como inovador e atualizado com as agendas contemporâneas de desenvolvimento econômico, social e ambiental, conforme preconizam os marcos globais para economia verde definidos na Rio+20 e o Acordo do Clima, firmado na COP-21, em Paris.

O Ministério do Meio Ambiente do Brasil (MMA), identifica o potencial do estado na vanguarda dos compromissos pela preservação da Amazônia. Everton Luceno, secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do MMA falou sobre esse protagonismo acreano, durante sua participação no 16° Fórum de Governadores da Amazônia Legal.

“O estado do Acre tem se destacado no cenário nacional, e mesmo internacional, pelo avanço que tem no seu zoneamento econômico e ecológico, na sua legislação e, sobretudo, uma característica muito importante que é o controle social, a participação de comunidades de base, de extrativistas e produtores, que acompanham e estão muito bem informados com cada iniciativa”, disse.

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