Desenvolvimento

Comunidade de Rodrigues Alves tem parceria com governo para processamento de óleos extrativistas

O governo do Acre, por meio da Fundação de Tecnologia do Estado (Funtac), renovou o Termo de Parceria Técnica com a Cooperativa de dos Produtores de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Nova Cintra (Coopercintra), localizada no município de Rodrigues Alves. Assim, a Comunidade de Nova Cintra mantém a sua disposição a unidade de processamento de óleo vegetal, além de garantir a assistência técnica por meio de análises laboratoriais de óleos, desenvolvimento de novos produtos e subprodutos a base de cacau e bambu.

Todo o trabalho envolve coletores extrativistas e ribeirinhos em 52 comunidades do Alto e Baixo Juruá, distribuídos nos municípios de Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves, Mâncio Lima, Jordão e Marechal Thaumaturgo, além de parte do Amazonas, e beneficiando cerca de 270 famílias extrativistas.

Mais de 700 famílias extrativistas estão envolvidas no projeto Foto: Assessoria Funtac

A ação faz parte das atividades de fortalecimento produtivo no âmbito do Programa REDD Early Movers (REM) Acre Fase II, cuja sigla traduzida para o português é Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal com Benefícios Socioambientais, onde recursos internacionais doados são usados para ajudar a manter a floresta em pé, gerando melhorias de vida para aqueles que vivem nela.

Produzir com a floresta em pé

O Projeto de Assentamento Nova Cintra abrange uma área total de 1.385,27 hectares, distribuídos em basicamente duas tipologias florestais distintas, de acordo com a base de dados do Zoneamento Ecológico-Econômico do Estado: a floresta aberta com palmeiras mais densa e a floresta aberta com palmeiras aluvial. Estas florestas representam um alto potencial para o manejo florestal de produtos florestais não madeireiros, principalmente das palmeiras, destacando-se o murmuru, açaí, bacaba, ouricuri, entre muitas outras.

Recentemente, a Cooperativa iniciou um trabalho com o cacau nativo, espécie abundante na região do Juruá, e que possui um potencial econômico ainda pouco explorado. Atualmente se trabalha somente a comercialização da amêndoa, porém, o objetivo é investir na produção da manteiga do cacau.

E entre 16 e 24 de setembro, uma equipe da Funtac iniciou o levantamento do potencial econômico do cacau nativo, por meio de inventário florestal da espécie em área próxima a sede da Coopercintra, com os estudos de manejo de espécie para plantio em áreas elevadas e meios de processamento para obtenção de manteiga do cacau e subprodutos.

Segundo o Engenheiro Florestal João Neves, responsável pela elaboração do Relatório de Inventário, a Funtac tem uma importante missão em garantir que os meios de produção do cacau nativo possibilitem ganhos duradouros para a comunidade local.

Um minicurso de escalada em árvores foi dado aos moradores da comunidade para melhorar a colheita dos frutos Foto: Assessoria Funtac

Minicurso de Escalada

Ainda a pedido da diretoria da Coopercintra, o técnico florestal Cláudio Conde realizou um Minicurso de Escalada em árvores para a coleta segura e eficaz de frutos em palmeiras, como buriti e açaí, com uso de técnicas e equipamentos que proporcionam maior segurança, reduzindo assim o número de acidentes de trabalho até então comuns nesse tipo de serviço no meio da floresta.

Para o coordenador do Programa REM na Funtac, Dixon Afonso, este trabalho conjunto entre a Funtac e a Coopercintra tem como foco garantir a conservação da floresta, por meio da valoração de seus produtos e subprodutos florestais, a partir das atividades econômicas sustentáveis, conferindo benefícios econômicos e socioambientais para a população local.