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Cidades do Acre

Depasa executa serviços para resolver problemas de esgotamento sanitário na capital

Cleide Elizabeth
18.08.2019 11:57
Atualizado 18.08.2019 às 12:00

O Departamento Estadual de Água e Saneamento (Depasa) atende diariamente uma média de 20 solicitações para desobstrução da rede coletora de esgoto da capital. A cada chamado, a equipe é imediatamente mobilizada. Além das ações emergenciais que mobilizam todo o pessoal da manutenção da rede coletora, a execução das ordens de serviço que chegam via central de atendimento é programada por ordem de prioridade. A mais recente, realizada neste sábado, 17, foi organizada pela equipe para fazer a desobstrução da rede coletora no bairro Adalberto Aragão.

Equipe de manutenção da rede coletora atua diuturnamente Foto: Assessoria Depasa

A origem do problema

A origem dos problemas ainda existentes na rede de esgoto da capital remonta ao final dos anos 90, quando o governo estadual, à época, iniciou as ações com vistas à ampliação da rede coletora e construção de novas estações de tratamento e elevatórias (sistemas de bombeamento utilizados para transportar o esgoto das áreas mais baixas da cidade até a estação de tratamento).

O projeto previa ampliação da rede coletora, até então com cobertura de apenas 22% dos domicílios da capital, para 70% e estrutura para tratamento de todo o esgoto coletado. As licitações foram abertas, a execução das obras iniciadas, mas as elevatórias não foram construídas em tempo hábil. Ainda hoje, muitas elevatórias não estão concluídas. Há rede que foi expandida, mas não como deveria. O que existe hoje é uma grande rede que não leva o esgoto aonde deve chegar, às estações de tratamento (ETEs).

Em Rio Branco há atualmente quatro estações de tratamento. A do São Francisco, com capacidade para tratar 250 litros de esgoto/segundo, a estação Conquista, a estação Cidade do Povo e a do Redenção. A ETE Redenção, ainda não está em funcionamento porque as elevatórias que deveriam transportar o esgoto até a estação não foram concluídas. A unidade  foi totalmente destruída pela ação de vândalos.

Na Cidade do Povo, a situação é idêntica, sem as elevatórias, e a estação depredada, a rede coletora entope e o esgoto acaba chegando ao meio da rua ou retornando para as casas. A ETE São Francisco funciona com 50% da sua capacidade, pois ainda não recebe o esgoto que deveria receber. A estação que tem capacidade para tratar 250 litros de esgoto por segundo, apenas 70 litros são tratados.  Por falta das elevatórias que não foram construídas ou não estão em funcionamento é o que chega atualmente à estação.

A ETE Conquista, que trataria esgoto o Universitário I, II e II, Tangará, Manoel Julião e Conquista, teve as elevatórias depredadas, ficou meses sem funcionar.

Visão de futuro: a solução para o problema

Ao assumir a gestão estadual, o governo Gladson Cameli, por meio do Depasa, iniciou os estudos e planejamento para solucionar os problemas de saneamento da capital. A primeira medida foi colocar as elevatórias depredadas em funcionamento. Foram reativadas as elevatórias do Universitário, Tucumã, Manoel Julião.

Com as elevatórias em funcionamento 90%, do esgoto que deveria chegar à Conquista já está chegando e recebendo o devido tratamento antes e retornar à natureza. Por meio do Depasa, o Governo do Estado realiza obras para a ampliação do índice de cobertura de esgotamento sanitário no município de Rio Branco, através da implantação de sistema de coleta e tratamento de esgoto em diversos bairros da cidade. As principais são:

● Execução de rede coletora de esgoto e estações elevatórias dos bairros Preventório e Base, cujos efluentes serão lançados para tratamento na ETE São Francisco. Esse sistema receberá também as contribuições de esgoto coletados dos bairros Preventório, da Pista, Aeroporto Velho, Airton Sena, Bahia Nova, da Glória, Sanacre, Boa Vista, Palheiral, Bahia Velha, Salgado Filho, João Eduardo, Floresta Sul, João Eduardo I, Novo Horizonte e Mauro Bittar e os conjuntos habitacionais Nova Esperança, Bela Vista e Castelo Branco, cujas redes coletoras e estações elevatórias de esgoto já foram implantadas, entretanto ainda não entraram em plena operação, pois aguardam a conclusão das obras dos Bairros Preventório e Base. A conclusão dessa obra permitirá o atendimento de cerca de 42.556 habitantes residentes nos citados bairros que terão seus esgotos coletados e direcionados para tratamento na ETE São Francisco;

● Execução de rede coletora de esgoto e estações elevatórias dos Bairros Village, Waldemar Maciel, Procon, Solar e Bosque, cujos efluentes serão lançados para tratamento na ETE São Francisco. Esse sistema receberá também as contribuições de esgoto coletados dos bairros Rui Lino, Nova Estação, Redenção, Doca Furtado, Estação Experimental, Santa Terezinha, Vila Ivonete e Olaria J. Vila. A conclusão dessa obra permitirá o atendimento de cerca de 24.996 habitantes residentes nos citados bairros que terão seus esgotos coletados e direcionados para tratamento na ETE São Francisco.

A reativação das elevatórias permitiu transportar mais esgoto à estação de tratamento Foto: Assessoria Depasa

As ações de saneamento têm sido de fundamental importância para a melhoria da qualidade de vida da população de Rio Branco, minimizando a ocorrência de doenças de veiculação hídrica (amebíases, hepatites, verminoses, por exemplo), além de contribuir sobremaneira para a preservação do meio ambiente que passa a receber os efluentes domésticos tratados.

As obras visam promover o aumento da eficiência dos serviços de coleta e tratamento de esgoto atualmente implantados no município de Rio Branco, ampliando o índice de atendimento com coleta de esgoto dos atuais 30% para 70%, com 100% de tratamento dos esgotos coletados, resultando na diminuição dos custos ambientais e condição mais favorável à qualidade de vida da comunidade beneficiada, com sensível influência na questão da saúde pública do município de Rio Branco.

Até a conclusão dessas ações definitivas, três equipes atuam diuturnamente em ações e desobstrução e coleta e esgoto nos PVs que transbordam. “É um trabalho árduo e demorado, no sentido de que as demandas são muito maiores que todo pessoal e recurso disponível”, ressalta Filogônio Ribeiro,  engenheiro sanitarista do Depasa.

Alarme falso

Com frequência, ao ser acionada e chegar ao local, a equipe Depasa identifica que o problema não é na rede coletora de esgoto. Muitas pessoas ainda confundem rede de esgoto com rede de drenagem e, por vezes, os alarmes falsos prejudicam a programação para a execução os serviços que são responsabilidade do Depasa como a manutenção da rede de água e esgoto.

A rede esgoto é exclusiva para receber dejetos humanos, não resíduos sólidos. A rede de esgoto corre normalmente no centro da rua. A tubulação de drenagem, construída com manilhas, corre pela lateral da rua. A tubulação de esgoto é uma tubulação fechada, que só abre nos PVs (pontos e visita instalados a cada 100 metros para a realização as operações de limpeza e desobstrução).

A água é bombeada por pressão, esgoto transportado por gravidade, qualquer resíduo, por menor que seja, já entope a tubulação de esgoto. “A população pode ajudar mantendo quintais e terrenos baldios limpos evitando que resíduos sólidos cheguem à rede coletora bem como à rede de drenagem”, lembra Filogônio Ribeiro

 

 

 

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