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Cultura

Show encerra mês de Luta Antimanicomial com canções de Dona Ivone Lara

Golby Pullig
28.05.2019 11:11
Atualizado 28.05.2019 às 22:24

Expressão livre, acolhimento e convivência. O conceito do Centro de Convivência Arte de Ser, que em setembro completa dez anos de atividades em Rio Branco em favor da saúde mental, estará representado no palco do Teatro Plácido de Castro nesta sexta-feira, 31, às 16 horas, pelo show ‘Sonho meu, sonho nosso’.

O encontro de músicos, usuários da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do Acre, familiares, colaboradores e comunidades do entorno do Parque Capitão Ciríaco, onde está instalado o Arte de Ser, resulta em uma experiência inédita que pretende dar visibilidade às ações que promovem tratamento humanizado em saúde mental e marcar o encerramento do mês de Luta Antimanicomial.

O show é uma atividade terapêutica que envolve muitos atores em torno das canções de Ivone Lara, conhecida como a “grande dama do samba”, e que serão interpretadas tanto pela cantora Verônica Padrão como por usuários da RAPS, costurando outras performances como apresentação de dança e poesia, exibição de vídeos, depoimentos. O Arte de Ser conseguiu viabilizar o show junto com diversos parceiros. “É comemoração e luta ao mesmo tempo”, resume o coordenador do Centro de Convivência Arte de Ser, psicólogo Fabiano Carvalho.

Fabiano Carvalho: “É comemoração e luta ao mesmo tempo”. (Foto: Diego Gurgel/Secom)

Toda a Rede de Atenção Psicossocial estará junta em um projeto: Centro de Convivência Arte de Ser, Hospital de Saúde Mental (Hosmac), Centros de Atenção Psicossocial (Caps) AD, Samaúma e dos municípios de Sena Madureira e Capixaba, Unidade de Acolhimento (UA) e leitos de saúde mental do Hospital de Urgências e Emergências de Rio Branco (Huerb).

Resgatando vínculos – Poucos conhecem a história profissional de Ivone Lara além da música. Enfermeira e assistente social, a cantora trabalhou no Instituto de Psiquiatria de Engenho de Dentro (RJ) e foi, durante duas décadas, assistente da médica Nise da Silveira, conhecida por inovar no tratamento psiquiátrico no Brasil se tornando a grande mentora da reforma psiquiátrica e da luta antimanicomial no país.

Centro de Convivência Arte de Ser acolhe usuários de Rede de Atenção Psicossocial com intervenções artísticas no Parque Capitão Ciríaco (Foto: Ramon Aquin/Divulgação)

Foi a cantora Verônica Padrão quem apresentou o nome de Ivone Lara e a ideia de trabalhar com suas músicas. “A partir do momento que vi o depoimento de pessoas falando sobre ela me veio a inspiração. Conversei com o Fabiano, ele acatou de imediato e a gente começou a trabalhar com alguns parceiros”, conta ela acrescentando que é importante a sensibilização da sociedade para tentar reduzir o preconceito em torno do tema e estimular o amparo da família. “Estou feliz e emocionada com toda essa adesão”, diz Verônica.

Verônica Padrão apresentou a ideia e interpreta as canções de Dona Ivone Lara costurando diversas performances (Foto: Ramon Aquin/Divulgação)

O nome do show é uma referência a uma das canções mais conhecidas de Dona Ivone Lara, Sonho meu, composta em parceria com Délcio Carvalho. A cantora morreu em abril de 2018 aos 97 anos. Participam do show os músicos James Fernandes (direção e baixo), Geraldinho (violão), Giovanne Souza (saxofone), Nilton Castro (teclado) e Paulinho nobre (bateria). Os ingressos estão sendo vendidos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

“O que queremos é estabelecer, melhorar e resgatar os vínculos para unir, não só com as famílias, mas entre todos os que compõem a rede para que possamos pensar juntos como a gente vai lidar com essa realidade”, diz Fabiano.

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