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Geral

Violência na luta pela floresta e pela terra é discutida durante encontro em Xapuri

Celis Fabricia
16.12.2018 17:16
Atualizado 18.12.2018 às 16:13

A cada cinco dias um assassinato no campo foi cometido no Brasil, em 2017. No mesmo ano foram registrados 1.341 conflitos por terra, água ou trabalho no país. Na Amazônia Legal, as tentativas, ameaças de expulsão e pistolagem foram 12.544.

Os dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) foram apresentados pelo padre Luiz Ceppi, durante o Encontro Chico Mendes 30 anos, realizado em Xapuri entre os dias 15 e 17 de dezembro. “Como construir sem destruir? Esse é o nosso desafio”, ressaltou.

Neste domingo, 16, foi feito um balanço da violência e dos assassinatos de lideranças do movimento social em decorrência da luta pela floresta e pela terra nos últimos 30 anos. As discussões foram moderadas por Sueli Bellato, da Comissão Brasileira de Justiça e Paz. Pessoas que conviveram com Chico Mendes deram seus depoimentos, além de representantes de instituições governamentais e organizações da sociedade civil.

A reforma agrária e luta pela terra se intensificaram na Amazônia a partir dos anos 70 destacou Atanagildo de Deus Matos “Gatão”, ex-presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS). “Aqui começou-se a pensar diferente, com valores fundamentais, como a floresta, a água, os animais (…) E essa foi a sacada do povo amazônico”, explicou.

Ainda de acordo com Matos “Gatão”, entender a importância desse patrimônio natural e humano para defendê-lo foi o que moveu todos que se associaram aos ideais de Chico Mendes. “A terra é um meio de produção, que sempre está em disputa. E há momentos em que vai haver forças desiguais. Nesse momento, enfrentamos os conflitos”, acrescentou.

A discussão é na Amazônia, mas a violência se estende por todo o país. Carlos Alberto Pinto Santos, da Reserva Extrativista Canavieiras, na Bahia, relatou conflitos e mortes pela posse da terra na sua região. “Por ser de comunidade tradicional carrego em mim a relação com território e territorialidade. Para criar nossa reserva extrativista, companheiros morreram. Uma história que Chico viveu e estamos vivendo todos os dias”, destacou o pescador.

As estatísticas reforçam que a violência na luta pela terra continua, mesmo 30 anos após o assassinato de Chico Mendes, líder sindicalista e ambientalista. E, observando além dos números, da frieza das estatísticas ou dos relatórios apresentados por instituições, é preciso haver mudanças de comportamento e legislação, destacaram os participantes, para que todos possam ter o direito à terra assegurado como um direito humano.

O que disseram:

“Juntamo-nos todos para defender a área que está sob pressão, esse é o sentido do empate” – Gumercindo Rodrigues “Guma”, advogado

“As pessoas estão perdendo suas terras legalmente, estão sendo violadas (…) A gente precisa dar visibilidade a luta dessas pessoas” – Solene Costa, ouvidora da Defensoria Pública do Estado do Acre

“Esse legado de Chico Mende se traduz em compromisso e responsabilidade para que essa luta nunca morra, sempre brilhe!” – Antonio Macedo, ex-seringueiro

“Nesses 30 anos também de Constituição Federal do Brasil, os verdadeiros donos do país não têm a terra” – Carlos Pescador, promotor de Justiça/MPAC

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